Aprovada lei que proíbe limite de franquia no consumo de internet fixa

A Comissão de Defesa do Consumidor, da Câmara dos Deputados, aprovou projeto do Senado que proíbe a limitação de franquia de consumo nos planos de banda larga fixa.

A polêmica sobre a limitação dos planos de internet começou em 2016 quando as empresas anunciaram que implementariam a mudança. Houve uma repercussão negativa entre as entidades de defesa do consumidor e a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) acabou proibindo a interrupção do serviço até que seja concluída uma análise sobre o assunto.

A agência quer que as operadoras comprovem que têm ferramentas que permitam ao consumidor identificar seu perfil de consumo, ser alertado sobre a possibilidade de esgotamento da franquia, além de acompanhar de maneira clara o tráfego de dados.

Garantia legal

O relator da proposta na Comissão de Defesa do Consumidor, deputado Rodrigo Martins (PSB-PI), disse que a ideia é evitar mudanças futuras. “Nós entendemos que estamos dando uma garantia legal, uma vez que o projeto de lei prevê penalidades em relação às operadoras. Estamos dando mais garantias ao consumidor para que possam depois ingressar com ações administrativas, inicialmente, ou jurídicas, depois, para ter seus direitos preservados.”

Elevar preços

Basílio Peres, da Associação Brasileira de Provedores de Internet e Telecomunicações, disse que o mercado não deveria ser restringido porque isso pode elevar os preços e reduzir a velocidade de acesso.

“Na verdade, ninguém quer que o usuário tenha uma sensação ruim ao usar a internet. Todo mundo quer que o usuário use a internet à vontade para poder continuar pagando a mensalidade dele e ficar contente com a operadora que ele contratou. Essa é a intenção de todos”, afirma o empresário.

“Só que o que não pode haver é uma proibição de modelos de negócios variados. Quem quiser fornecer sem limite que forneça sem limite. Quem quiser ter limite vai oferecer com um preço apropriado para isso”, argumenta.

Sem congestionamento

Mas Rafael Zanatta, do Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor, afirma que as empresas não conseguiram demonstrar a necessidade da mudança: “Não existe um problema grave de congestionamento das redes no Brasil, não existe um problema de usuários pesados que estão usando a internet para baixar jogos ou baixar conteúdos pesados. Pelo contrário, as empresas estão com maior capacidade de transmissão de dados e estão com uma infraestrutura cada vez melhor com cabeamento de fibra ótica“, Finalizou.

 

Aprovada exigência de cobertura para celular em rodovias

A Comissão de Defesa do Consumidor aprovou proposta que obriga as prestadoras de telefonia móvel a garantir cobertura em todos os distritos dos municípios e em 100% dos trechos de rodovias na área geográfica de atuação.

O texto aprovado é o substitutivo do relator, deputado Márcio Marinho (PRB-BA), ao Projeto de Lei 3531/15, do deputado Afonso Hamm (PP-RS). A proposta original estabelece a obrigatoriedade de cobertura apenas nas rodovias.

O substitutivo também prevê que a prestadora atenda assinantes visitantes de outras operadoras, inclusive na mesma área de prestação, nas situações em que estiver indisponível o sinal da autorizada à qual o terminal visitante estiver vinculado.

Essas obrigações deverão constar no instrumento convocatório das licitações de outorga para a prestação do serviço. Ainda segundo o texto, as empresas em operação terão prazo de um ano para adotar as medidas, contado a partir da publicação da lei.

Fust

A proposta também permite que as prestadoras solicitem recursos do Fundo de Universalização dos Serviços de Telecomunicações (Fust) para o financiamento de instalação e operação de infraestrutura de suporte ao serviço em todos os distritos dos municípios e nas rodovias.

Tramitação

A proposta será analisada agora pelas comissões de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática; e de Constituição e Justiça e de Cidadania. O texto tramita em caráter conclusivo.