Crimes de pistolagem voltam com tudo no Maranhão

Os crimes de pistolagem voltaram a aterrorizar o interior do Maranhão. O caso mais recente teve como vítima, hoje,  o ex-prefeito de Barra do Corda, Manoel Mariano de Sousa, o popular Nenzin, pai do deputado estadual Rigo Teles. Nenzin foi morto com um tiro certeiro que o atingiu no pescoço.

O povo de Barra do Corda já viveu situação semelhante, que deixou a cidade em clima de pavor. Há quatro anos, o vereador Antônio Aldo Lopes Andrade foi executado dentro de uma borracharia, às margens da BR-226. Mais um crime com digitais políticas, sem a devida elucidação. Diante da impunidade, mandantes e autores sentem-se cada vez mais estimulados a perpetrar novos crimes.

Outros casos recentes

O vereador Esmilton Pereira dos Santos, de 45 anos, foi assassinado quando chegava em casa, em Governador Nunes Freire, município distante 442 quilômetros de São Luís. Reduzidas a quase zero após um esforço policial que resultou em inúmeras prisões, as execuções a bala ganham novamente o noticiário policial, para desespero dos maranhenses que convivem com a sombra da violência.

Esmilton Pereira foi o segundo vereador de Governador Nunes Freire assassinado a bala em dois anos. Em 2014, o também vereador Paulo Lopes, que fazia oposição à administração municipal, foi morto com as mesmas características. O blogueiro Ítalo Diniz, que escrevia textos com abordagem crítica à administração pública local, também foi morto a tiros na cidade, em novembro de 2016.

Com um saldo tão sangrento, a cidade logo ganhou o apelido de terra sem lei, onde a violência tem prevalecido sobre a democracia e as divergências políticas são resolvidas no gatilho. Assim, o Maranhão retroage ao passado de barbárie, algo que já havia sido superado e que agora volta, instalando o caos e o medo nas regiões mais pobres do estado. Em tempos de acirramento político, como agora, a ameaça da pistolagem se torna ainda mais real, com grupos antagônicos dispostos ao confronto e a população no meio do fogo cruzado.

 

 

Governo Flávio Dino fracassou também na segurança pública, segundo o Anuário Brasileiro da Segurança Pública

Segurança pública do Maranhão sem maquiagem

O deputado federal Hildo Rocha repercutiu na tribuna da Câmara as estatísticas do Anuário Brasileiro da Segurança Pública, estudo que compila e analisa dados de registros policiais sobre criminalidade e gera informações sobre o sistema prisional e gastos com segurança pública dos estados brasileiros. De acordo com o levantamento referente ao ano de 2016, o Maranhão foi a unidade da federação que menos investiu na segurança pública, em termos proporcionais.

“O Maranhão investiu apenas R$ 199,58 por habitante enquanto que o estado de Roraima investiu R$ 692,00, quase 300% mais. O Ceará, que ficou em penúltimo lugar no ranking investiu, ano passado, R$ 212,00, ou seja, ainda ganhou do Maranhão”, destacou Hildo Rocha.

Estatística

Segundo o deputado, o estudo aponta que de 2015 para 2016 houve um aumento de 14% nos crimes de lesão corporal dolosa; crimes resultantes em lesão corporal 40%; roubos e furtos de veículos aumento 22%; homicídios 5%. “Entre as capitais, São Luis foi a que registrou o maior crescimento de crimes de estupro (9%). Até suicídios aumentou. Em 2015 foram registrados 114 casos enquanto que em 2016 as ocorrências subiram para 159, um aumento de 29%”, enfatizou.

Falta de estrutura

Rocha disse que além do crescimento dos índices de violência, a falta de investimentos dificulta o trabalho do aparelho de segurança pública do estado. “Os policiais estão mal equipados, faltam armas adequadas, munições e veículos. Até o combustível é oferecido na quantidade abaixo do necessário para que os policiais possam trabalhar com eficiência. As delegacias estão em péssimas condições; por falta de pagamentos de aluguéis a delegacia de Peritoró foi despejada. Tudo isso em função do governo medíocre que temos no Maranhão”, asseverou o parlamentar.

O deputado disse que os números do Anuário Nacional de Segurança Pública confirmam o desprezo do governador Flávio Dino pela segurança pública. “Não tem compromisso com a população, não investe na segurança pública, não governa, fica o tempo todo nas redes sociais buscando culpados pelo fracasso da sua administração. A situação só não está pior porque felizmente o sistema de segurança público do Maranhão é formado por excelentes profissionais”, finalizou Hildo Rocha.

Crise na segurança pública do Maranhão, Tenente-coronel fala tudo

 

Tenente-coronel Jairo Xavier, comandante do 11º Batalhão de Policia em Timon

Ouça na íntegra a entrevista do comandante no final da matéria

O comandante do 11º Batalhão da Polícia Militar (Timon), Tenente-coronel Jairo Xavier, utilizou na sexta-feira (27) o programa do radialista Eliezio Silva para uma espécie de desabafo no que vem ocorrendo naquela corporação.

Na entrevista, o Coronel rebate as criticas que a Policia Militar do Maranhão, especificamente o 11º Batalhão, vem recebendo pela população timonense e expõe a crise aberta na segurança pública maranhense, que já é de conhecimento de todos.

O remanejamento de policiais (antes era composto por 464 PMs para cobertura na região e que foi reduzido drasticamente para 292), policiais de férias, afastamentos de PMs por problemas de saúde/psicológicos e indisciplina, policiais próximos à aposentadoria e folgas proporcionais pelas horas trabalhadas, são problemas pontuais que podem ter elevado o número de casos de violência e consequentemente a cobrança da população, que clama por mais segurança em toda a região coberta pelo 11º Batalhão (Timon, Matões e Parnarama).

O Coronel Xavier também fez comentário duro sobre o corte no orçamento que é repassado pelo governo do Estado ao Batalhão, ele completa ainda em sua entrevista que, se não fosse uma parceria com a Prefeitura de Timon, a situação seria bem pior. Já houve reuniões com o Comandante Geral da Policia Militar, Coronel Frederico Pereira e com o Secretário de Segurança Pública, Jefferson Portela (PCdoB), que é pré candidato a deputado federal em 2018. Porem, nada resolutivo foi tomado por parte do governo.

Problemas já previstos por deputados

Deputados Souza Neto e Alexandre Almeida previram o caos na segurança publica após remanejamento de policiais de Timon para a capital.

Os deputados Sousa Neto e Alexandre Almeida já haviam denunciado diversas vezes na Assembleia Legislativa que o governador Flávio Dino (PCdoB) estava desfalcando o efetivo policial em vários municípios para tentar frear a violência em São Luís.

A operação, para os deputados, foi um fracasso total, por que, além de não resolver o problema na capital a redução do efetivo nos municípios aumentou o número de assaltos a bancos, explosões de caixas eletrônicas e roubo de carros.

Ficaram com menor efetivo os municípios de Timon, Caxias, Bacabal, Barra do Corda, Imperatriz, Santa Inês, Estreito e Balsas, exatamente aqueles onde o crime aumentou consideravelmente nos últimos meses.

Falácia comunista

Governador Flávio Dino continua não cumprindo com suas propostas de campanha, principalmente na segurança pública

No dia de sua posse no governo do Maranhão, talvez levado pela empolgação da popularidade que tinha naquele momento, o governador Flávio Dino jogou em seu discurso uma promessa sabidamente impossível de cumprir: dobrar o efetivo da Polícia Militar do Maranhão nos quatro anos de mandato. O pior é que essa promessa foi reafirmada pelo comunista mesmo depois dos questionamentos quanto à inviabilidade do seu projeto. Mas ele se manteve irredutível.

No mês de abril, Flávio Dino anunciou a posse de outros cerca de mil policiais militares. Na soma de 2015 e 2016, já são cerca de 2 mil PMs efetivados na gestão comunista. Ocorre que, neste período, outros 2 mil policiais pediram aposentadoria ou faleceram, o que acaba por levar o projeto comunista à estaca zero.

Para cumprir a meta proposta entusiasticamente à população, Flávio Dino teria que nomear pelo menos 3 mil policiais a cada ano do seu mandato, já que a PMMA tinha uma tropa com 12 mil homens ao fim de 2014. E precisaria, ao mesmo tempo, evitar evasões, seja por aposentadoria ou por outra circunstância. Ocorre que é impossível selecionar, treinar e efetivar 3 mil homens em apenas um ano.

Só um concurso público para provimento de vagas nas policiais dura ao menos seis meses, se for levado a cabo em ritmo de toque de caixa e sem risco de judicialização do processo. Após a seleção, esses homens precisariam de um mínimo de outros seis meses para serem treinados, com contingente máximo de 300 homens por turma, já que é impossível treinar 3 mil homens de uma só vez. Só após este ano de seleção e treinamento os jovens soldados estarão prontos para o exercício do dever.

Os 2 mil PMs efetivados até agora não representam nem 20% da tropa da PMMA registrada em 2014. E é menos do que a governadora Roseana efetivou ao longo dos anos do seu último mandato.

Detalhe: esses 2 mil são frutos de um concurso realizado não por Dino, mas pela própria Roseana…

Ouça a entrevista do Tenente-coronel Jairo Xavier: