Atingindo o fígado comunista

Por mais indefinida que tenha sido a “Carta aos Maranhenses” divulgada na noite de segunda-feira, 23, pelo ex-secretário, ex-deputado federal e estadual, ex-prefeito e ex-candidato a governador Ricardo Murad, ela teve um efeito quase ensurdecedor no Palácio dos Leões, hoje ocupado pelos comunistas que ora detêm o comando do governo.

Na verdade, o movimento de Murad já os havia aturdido desde a sexta-feira, quando foi anunciada sua transferência do PMDB para o PRP – embora sem dizer exatamente a qual cargo ele concorreria em 2018.

Murad continua sem dizer se vai disputar o governo, o Senado, ou vagas nas Casas Legislativas, mas sua manifestação pública acuou os aliados do governador, muitos dos quais já acenavam para “uma reeleição tranquila de Flávio Dino”.

Os comunistas sabem que, num embate de poder com Ricardo Murad, nenhum processo eleitoral será tranquilo. Forte, convicto e pronto para qualquer disputa, o ex-secretário é o tipo mais difícil de adversário, porque não se dobra facilmente e está sempre pronto a atacar em todos os flancos possíveis.

E no documento tornado público na noite de segunda-feira, ele já deixou claro que a batalha começou bem antes da campanha propriamente dita. Vai percorrer o Maranhão mostrando o que fez e o que Flávio Dino não fez, num tête-à-tête com prefeitos, lideranças políticas e populares.

Como já se sabe há três anos, o comunista que ora ocupa o poder no Maranhão tem muito a explicar à população. Faltava alguém para expor essas feridas.

Coluna Estado Maior

Coroatá – humilhação para marcação de consulta continua na rede estadual de saúde do Maranhão

Corredores lotados para marcação de apenas uma especialização em saúde do Macrorregional de Coroatá

Referência regional em consultas e cirurgias oftalmológica de média e alta complexidade, o Hospital Macrorregional de Coroatá, amanheceu com uma enorme fila nesta segunda-feira. Era o primeiro dia de marcação de consultas para o mês de setembro. Sem querer contar com a sorte de vagas remanescentes, centenas de pacientes, muitos com dificuldade de locomoção e alguns usando muletas, enfrentaram horas de espera para conseguir um agendamento na unidade inaugurada em 2012, pela ex-governadora Roseana Sarney.

A fila começou a se formar ainda na madrugada, tanto por pessoas que desejavam marcar sua primeira consulta quanto por aquelas que já se tratam no local, mas queriam garantir atendimento ainda neste ano. Ou seja, mesmo pacientes antigos, que já poderiam ter agendado seu retorno, enfrentaram a aglomeração que seguia pelos corredores daquela casa de saúde.

A previsão inicial era marcar 100 consultas oftalmológica por mês, sendo conferida mais de 300 pessoas na fila, entre idosos e crianças já sem esperança de ter suas consultas agendadas. Antes das 7 horas, horário previsto para início das marcações, já havia tumulto. Em menos de 20 minutos, as 100 senhas reservadas se esgotaram. Esse último grupo, no entanto, terá de retornar à unidade sem data ainda prevista.

Macrorregional no dia de sua inauguração pelo ex-secretário de saúde Ricardo Murad e pela ex-governadora Roseana Sarney

Vale lembrar que o Macrorregional foi idealizado pelo ex-secretário de estado da saúde, Ricardo Murad, e que atenderia uma população de aproximadamente 70 mil pessoas, só da cidade de Coroatá. Entretanto, com a desativação de vários hospitais de 20 leitos de pequenas cidades pelo governador Flávio Dino, o Macrorregional absorveu a região de cobertura que pode chegar a mais de 200 mil pessoas, mas a estrutura física e de profissionais da saúde não acompanharam o crescimento nesses cinco anos, o que motiva a demora em atendimentos especializados como o oftalmológico e ortopédico.

Segundo informações, a direção do hospital admitiu que o Macrorregional errou e não estava preparado para a intensa procura desta segunda (31). “Há alguns meses, fizemos este mesmo modelo de marcação e não houve este tamanho de fila. Tínhamos entendido que esta seria a maneira mais correta de organizar as senhas. No entanto, acabamos nos surpreendendo com tamanha demanda. Só quero deixar bem claro para a população que este tipo de coisa não vai se repetir”, explicou uma funcionária da unidade de saúde.

Pelo visto, o governador Flávio Dino ainda não aprendeu a tratar com respeito à população que o escolheu para comandar o estado, mesmo após a “catracada” levada ontem (31) pelo prefeito da Trizidela do Vale, Fred Maia, durante um encontro de prefeitos com o Ministro da Saúde, no auditório da FIEMA em São Luís.