Temer não podia nomear para ministério um aliado de ‘um dos mais severos críticos’ ao seu governo, diz assessor

Pedro Fernandes e Flávio Dino, aliados de primeira hora

O presidente Michel Temer desistiu de nomear o deputado Pedro Fernandes (PTB-MA) ao Ministério do Trabalho por ele ser um aliado de um “dos mais severos críticos de seu governo”, o governador do Maranhão, Flávio Dino (PC do B).

Essa é a justificativa dada por um assessor direto de Temer para a desistência de aceitar a indicação de Pedro Fernandes para substituir Ronaldo Nogueira na pasta.

A mudança de rumo na escolha do novo ministro do Trabalho se deu depois de conversas do ex-presidente José Sarney com interlocutores do presidente Temer, lembrando que, hoje, Pedro Fernandes é ligado a Flávio Dino, inimigo político da família Sarney no Maranhão e adversário do Palácio do Planalto.

Antes, o deputado foi aliado do ex-presidente e chegou a ser secretário da filha dele, Roseana Sarney, durante um de seus mandatos como governadora do estado.

O assessor presidencial disse que em nenhum momento o Palácio do Planalto confirmou oficialmente o nome de Fernandes como novo ministro do Trabalho, mas ele chegou, sim, a ter uma aprovação inicial de Temer.

Foi na última quarta-feira (27), durante conversa em seu gabinete no Planalto com o presidente do PTB, Roberto Jefferson, e com o líder do PTB na Câmara, Jovair Arantes, na qual Ronaldo Nogueira formalizou seu pedido de demissão.

Assessores de Temer destacaram ainda que o filho de Pedro Fernandes, Pedro Lucas Fernandes, trabalha no governo de Flávio Dino e vai disputar a próxima eleição para deputado federal aliado ao atual governador na sua campanha pela reeleição.

“Não dava ter no governo um ministro cujo filho iria fazer campanha contra o Temer, aliado de um dos mais severos críticos do seu governo”, afirmou um auxiliar do peemedebista.

Do G1

Partidos de saída

Embora o agora virtual ministro do Trabalho, Pedro Fernandes, negue ou reafirme o contrário, a permanência do seu PTB na base do governo Flávio Dino (PCdoB) é uma impossibilidade do ponto de vista do pragmatismo do jogo político de Brasília.

O comunista maranhense é um dos mais mordazes críticos do governo Michel Temer (MDB), que chama de “golpista”. Difícil, portanto, que o Palácio do Planalto aceite ter um dos principais auxiliares na base desse crítico.

Mas as dificuldades de coligação de Flávio Dino com partidos que não fazem parte do espectro político onde está situado o seu PCdoB são mais reais do que a mera defecção do PTB. O comunista sabe que dificilmente terá em seu palanque legendas como o DEM, o PP e até mesmo PSB e PPS, que têm interesses nacionais em jogo para 2018.

Todos esses partidos se alinham no campo mais à direita do espectro político. E Dino se declara de esquerda, com valores de esquerda e visão de esquerda na economia, na política e na ideia de Estado.

De postura mais liberal – e antenados com a onda liberal que mobiliza a Europa – esses partidos tendem a extrapolar o debate na eleição de 2018, fazendo o contraponto ao conceito de Estado interventor e controlador, com economia basicamente estatal, defendido por Dino e seus aliados de esquerda, como PT e o PDT.

Ainda que o governador tente repetir a postura furta-cor que adotou em 2014 – abraçando, ao mesmo tempo, Aécio Neves (PSDB) e Dilma Rousseff (PT) – a beligerância do processo de 2018 vai dificultar as coisas para ele. E tudo começa já agora, com o caminho do PTB.

 

O Estado/Estado Maior