PCdoB pegou 4 milhões de reais em propina no Maranhão, revela a revista VEJA

Imagem ilustrativa do site imprensaviva.com

A revista VEJA revelou os detalhes da extensa delação premiada que o ex-deputado Pedro Corrêa, um dos corruptos mais antigos em atividade no país, firmou com a Justiça. Confessando seus crimes com a autoridade de um decano da roubalheira, que começou a receber propinas na década de 70 e só foi parado pela Operação Lava Jato, Corrêa desnudou as engrenagens da corrupção nos governos de Lula e de Dilma Rousseff, mas fez mais. Além de comprometer figuras de proa da antiga oposição, como Aécio Neves, Corrêa escancara de vez o esquema de corrupção montado por pretensos partidos “éticos” da política, os virtuosos líderes de esquerda do PCdoB. O cérebro do esquema de corrupção comunista, diz o delator, era o ex-ministro Aldo Rebelo.

Segundo relata Pedro Corrêa no anexo 27 de sua delação, durante o segundo governo Lula, o PCdoB comandou a Diretoria de Produção Habitacional do Ministério das Cidades. Pilotado por Daniel Nolasco, filiado ao PCdoB, o órgão comandava bilionárias verbas do programa Minha Casa Minha Vida. Nolasco, apadrinhado no cargo pelo ex-ministro Aldo Rebelo, operava verbas destinadas às empreiteiras de pequeno porte, que atuavam na construção de casas para a população carente em cidades com menos de 50 mil habitantes.

Enquanto cumpria a nobre missão de realizar o sonho da casa própria para famílias humildes, o militante do PCdoB aproveitava para tocar uma agenda clandestina. Nessa função, nada edificante, cobrava propinas das empreiteiras que iriam construir as moradias populares. Segundo Pedro Corrêa, a taxa praticada no esquema de corrupção girava em torno de 10% a 30% do valor de cada casa construída. O golpe era simples: o diretor do órgão, a quem cabia liberar recursos para os empreiteiros e cobrar a propina, tinha uma empresa, a RCA Assessoria. Depois de o ministério fechar o convênio com a empreiteira e repassar o dinheiro para a construção das casas, os empresários corruptos pagavam a propina negociada com o PCdoB para a RCA.

O esquema do PCdoB era dividido com o PT e com o PP e operou cobrando propinas na construção de pelo menos 100 mil casas populares. Segundo Corrêa, apenas uma empreiteira com contratos no Maranhão pagou quatro milhões de reais aos corruptos. Pedro Corrêa conhece os detalhes da roubalheira porque era um dos seus beneficiários. “A propina arrecadada pela RCA era dividida entre o PT, que tinha a Secretaria Nacional de Habitação, pelo PCdoB, que comandava a Diretoria de Produção Habitacional, e pelo PP, que tinha (indicado) o ministro das Cidades”, diz Corrêa.

A delação de Pedro Corrêa já foi concluída e os depoimentos estão no STF para homologação do ministro Teori Zavascki. Em um anexo específico dedicado a Aldo Rebelo e ao PCdoB, o delator revela que o ex-ministro de Lula e de Dilma Rousseff embolsava um terço de toda a propina arrecadada pelo esquema corrupto ao PCdoB. “Aldo Rebello tinha pleno conhecimento de que as nomeações dos indicados pelos partidos da base aliada eram realizadas com o intuito de arrecadação de propina”, diz Corrêa.

Procurado, o ex-ministro Aldo Rebelo negou ter feito indicações políticas ao Ministério das Cidades, refutou as declarações de Pedro Corrêa sobre pagamento de propina e avisou que irá processar o delator. “Nunca indiquei nenhum servidor para o Ministério das Cidades. Nunca tive relação, responsabilidade ou contato com indicações que o PCdoB viesse a fazer no governo. As indicações eram partidárias. O Pedro Corrêa vai ser processado. Ele vai ter que apresentar provas do que está dizendo. Esse rapaz foi cassado quando eu presidia a Câmara dos Deputados e provavelmente restou dessa época algum tipo de mágoa ou ressentimento. É a única explicação que eu encontro para tamanho ato de banditismo. Quem cometeu crimes que responda por eles. Não vou permitir que ele envolva meus nomes nessas irregularidades. Se houve irregularidade ou crime, quem cometeu que pague por isso. Nunca tive responsabilidade por indicações do partido”, disse Aldo Rebelo.

O ex-ministro não é o primeiro político comunista a surgir na teia de corrupção investigada pela Operação Lava Jato. Depois que o Supremo Tribunal Federal retirou o sigilo sobre a delação do ex-presidente da Transpetro Sérgio Machado, vieram a público as revelações sobre o pagamento milionário de propina para a deputada Jandira Feghali (PCdoB-RJ).

Machado disse aos procuradores da Lava Jato que Jandira pediu ajuda financeira para sua campanha eleitoral diretamente a ele. O ex-presidente da Transpetro conta então que conseguiu recursos com a empreiteira Queiroz Galvão, que tinha negócios com a Transpetro, para a campanha de Jandira. A deputada explicou que na década de 80 atuou como sindicalista em estaleiros e que, por isso, é “natural” que, ao ” procurar recursos” para as campanhas, ela “buscasse os parceiros desta luta”. Os parceiros de luta da deputada, agora se sabem, eram corruptos, e os recursos, dinheiro sujo do petrolão.

Fonte: Revista Veja

Senador afirma que JBS pagou propina ao governador Flávio Dino

O senador Roberto Rocha (PSDB) apontou o governador Flávio Dino (PCdoB) como um dos chefes de Executivo eleitos em 2014, beneficiado por dinheiro de ‘Caixa 2’ da JBS.

A acusação do tucano ocorreu na manhã de ontem, durante interrogatório a que foi submetido o ex-diretor de Relações Institucionais da empresa J&F, Ricardo Saud, no âmbito da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) da JBS, no Senado da República.

Na ocasião, Roberto leu trecho do depoimento de Saud dado ao Ministério Público Federal (MPF) na Operação Lava Jato, em que ele havia listado apenas 15, dos 16 partidos políticos de governadores eleitos beneficiados pela propina durante o processo eleitoral.

Rocha cobrou Saud o 16º nome. O interrogado afirmou que o nome poderia ser encontrado nos autos, e recorreu ao silêncio. Foi o que motivou a reação do senador maranhense.

“Falta um. Vossa senhoria poderia informar quem é que ficou protegido nesta conta?”, questionou, Roberto.

“Isso é muito fácil basta você ir nos autos. Mas vou permanecer em silêncio”, respondeu Saud.

“O senhor não pode dizer quem é o 16º governador que recebeu propina? Bom, eu vou dizer, senhor presidente. O 16º é o governador do Maranhão, do PCdoB, cujo irmão [Nicolao Dino] era a alma do doutor [Rodrigo] Janot. E talvez o doutor Ricardo Saud tenha o interesse de protegê-lo a época. Isso está constando na declaração de prestação de contas do candidato a governador. A mesma JBS disse que deu R$ 13 milhões ao PCdoB. O PCdoB só tinha um candidato no Brasil. Era o candidato a governador do Maranhão. Exatamente este que o depoente tenta claramente proteger”, afirmou o tucano.

Apesar de o senador tucano ter apontado Flávio Dino como um dos beneficiados pelo Caixa 2, documentos encaminhados pela JBS à Operação Lava Jato, não incluem o então candidato do PCdoB.

Silêncio

Durante a audiência da CMPI da JBS no Senado, que investiga irregularidades em contratos entre a empresa dos irmãos Joesley e Wesley Batista e o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Ricardo Saud ficou em silêncio e não respondeu a nenhuma das perguntas formuladas pelos parlamentares.

Ricardo Saud e os irmãos Batista estão presos desde setembro deste ano no Complexo Penitenciário da Papuda, em Brasília. Eles teriam mentido e omitido informações no acordo de delação premiada firmado com a Procuradoria Geral da República. O ministro do Luiz Edson Fachin, Supremo Tribunal Federal (STF), suspendeu os benefícios do acordo.

Outro lado

Por meio do seu perfil em uma rede social, o presidente do Diretório Estadual do PCdoB e secretário de Comunicação e Assuntos Políticos do Estado, Márcio Jerry, comentou as declarações do senador Roberto Rocha (PSDB) contra o governador Flávio Dino (PCdoB).

“Aparentando desequilíbrio, Roberto Rocha faz acusações absurdas a Flávio Dino numa tentativa desesperada de aparecer. Em 2012 e 2014 ajudamos a eleger Roberto Rocha acreditando numa regeneração política. Mostrou-se rapidamente em processo de degeneração”, disse Jerry.

Ainda segundo Márcio Jerry, “depois de trair vilmente seus aliados, Roberto Rocha resolve mentir desavergonhadamente. O desespero o faz cometer tais desatinos”, concluiu.

 

Com informação do Jornal O Estado do Maranhão