PF intima Janot a prestar depoimento em inquérito sobre delação da JBS

A Polícia Federal (PF) intimou o ex-procurador-geral da República Rodrigo Janot a prestar depoimento em uma investigação interna do órgão sobre a delação de executivos da JBS. A solicitação foi que o depoimento ocorresse no dia 12 de janeiro, às 15h, na sede da Polícia Federal, em Brasília.

Janot, contudo, alegou que membros do Ministério Público Federal (MPF) têm o direito de indicar data, hora e local em que podem participar de uma oitiva, e informou que não poderá comparecer na data solicitada. Ele também ressaltou que não foi informado em que condição, de testemunha ou investigado, ele será ouvido.

O ex-procurador-geral disse ainda que aguarda uma resposta da PF para remarcar o depoimento, e ressaltou que tem uma viagem agendada para a Colômbia, entre os dias 17 de janeiro e 8 de fevereiro.

Por meio de nota, a PF não confirma a intimação de Janot e informa que, em razão do sigilo judicial, não se manifestará.

A informação é do portal O Globo

Weverton Rocha é mais que amigo íntimo de membros de organizações criminosas

Weverton Rocha e Rosângela Curado, amizade nada republicana

Denunciado à Justiça pelo Ministério Público Federal (MPF) por irregularidades no Programa Nacional de Inclusão de Jovens (ProJovem Urbano), o ex-secretário de Estado de Esporte e Juventude do governo Jackson Lago, atual deputado federal e aspirante a senador, Weverton Rocha (PDT), não perde o costume de ter como amigos íntimos pessoas envolvidas em escândalos, à exemplo da suplente de deputada Rosângela Curado (PDT), presa no ultimo dia 16 pela Polícia Federal, no desdobramento da operação Sermão dos Peixes.

Das amizades do deputado com envolvidos em crimes já é de conhecimento de todos. Agora, eis que surge a informação que o advogado Willer Tomaz, preso na Operação Patmos (desdobramento da Lava Jato) da Polícia Federal – que era advogado da JBS, e acusado de repassar informações da Operação Greenfield para o empresário Joesley Batista  – vai além da amizade com o deputado pedetista.

A intimidade e as relações perigosas entre eles fez com que o parlamentar fosse o escolhido, junto com sua esposa, a serem padrinhos de consagração do filho do Willer, como mostram as fotos no perfil do Instagram do deputado, mostrando uma ligação bem maior que a amizade.

O deputado Weverton Rocha chegou a visitar o advogado Willer Tomaz na prisão por quatro vezes. Segundo o parlamentar, ele fez as visitas porque é amigo do advogado.

No Maranhão, Willer Tomaz é apontado como um dos sócios que compraram o sistema Difusora do empresário Edison Lobão Filho.

Sobre a visita, Weverton disse ainda: “Amigo é para bons e maus momentos”.

Senador afirma que JBS pagou propina ao governador Flávio Dino

O senador Roberto Rocha (PSDB) apontou o governador Flávio Dino (PCdoB) como um dos chefes de Executivo eleitos em 2014, beneficiado por dinheiro de ‘Caixa 2’ da JBS.

A acusação do tucano ocorreu na manhã de ontem, durante interrogatório a que foi submetido o ex-diretor de Relações Institucionais da empresa J&F, Ricardo Saud, no âmbito da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) da JBS, no Senado da República.

Na ocasião, Roberto leu trecho do depoimento de Saud dado ao Ministério Público Federal (MPF) na Operação Lava Jato, em que ele havia listado apenas 15, dos 16 partidos políticos de governadores eleitos beneficiados pela propina durante o processo eleitoral.

Rocha cobrou Saud o 16º nome. O interrogado afirmou que o nome poderia ser encontrado nos autos, e recorreu ao silêncio. Foi o que motivou a reação do senador maranhense.

“Falta um. Vossa senhoria poderia informar quem é que ficou protegido nesta conta?”, questionou, Roberto.

“Isso é muito fácil basta você ir nos autos. Mas vou permanecer em silêncio”, respondeu Saud.

“O senhor não pode dizer quem é o 16º governador que recebeu propina? Bom, eu vou dizer, senhor presidente. O 16º é o governador do Maranhão, do PCdoB, cujo irmão [Nicolao Dino] era a alma do doutor [Rodrigo] Janot. E talvez o doutor Ricardo Saud tenha o interesse de protegê-lo a época. Isso está constando na declaração de prestação de contas do candidato a governador. A mesma JBS disse que deu R$ 13 milhões ao PCdoB. O PCdoB só tinha um candidato no Brasil. Era o candidato a governador do Maranhão. Exatamente este que o depoente tenta claramente proteger”, afirmou o tucano.

Apesar de o senador tucano ter apontado Flávio Dino como um dos beneficiados pelo Caixa 2, documentos encaminhados pela JBS à Operação Lava Jato, não incluem o então candidato do PCdoB.

Silêncio

Durante a audiência da CMPI da JBS no Senado, que investiga irregularidades em contratos entre a empresa dos irmãos Joesley e Wesley Batista e o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Ricardo Saud ficou em silêncio e não respondeu a nenhuma das perguntas formuladas pelos parlamentares.

Ricardo Saud e os irmãos Batista estão presos desde setembro deste ano no Complexo Penitenciário da Papuda, em Brasília. Eles teriam mentido e omitido informações no acordo de delação premiada firmado com a Procuradoria Geral da República. O ministro do Luiz Edson Fachin, Supremo Tribunal Federal (STF), suspendeu os benefícios do acordo.

Outro lado

Por meio do seu perfil em uma rede social, o presidente do Diretório Estadual do PCdoB e secretário de Comunicação e Assuntos Políticos do Estado, Márcio Jerry, comentou as declarações do senador Roberto Rocha (PSDB) contra o governador Flávio Dino (PCdoB).

“Aparentando desequilíbrio, Roberto Rocha faz acusações absurdas a Flávio Dino numa tentativa desesperada de aparecer. Em 2012 e 2014 ajudamos a eleger Roberto Rocha acreditando numa regeneração política. Mostrou-se rapidamente em processo de degeneração”, disse Jerry.

Ainda segundo Márcio Jerry, “depois de trair vilmente seus aliados, Roberto Rocha resolve mentir desavergonhadamente. O desespero o faz cometer tais desatinos”, concluiu.

 

Com informação do Jornal O Estado do Maranhão

Rodrigo Rocha Loures – O fim do mistério do “homem da mala”

Uma das mais misteriosas tramas entre as engendradas no coração da Procuradoria-
Geral da República começa a ser redesenhada pelos novos fatos que vieram à tona
após a prisão do criminoso Joesley Batista e de seu cúmplice, o diretor de relações
institucionais da JBS, Ricardo Saud. Antes mesmo de seu pronunciamento sobre o assunto, o papel do ex-assessor do presidente Michel Temer, Rodrigo Rocha Loures na trama pode ser definitivamente esclarecido.

Flagrado correndo com uma mala com R$ 500 mil pelas ruas de São Paulo, Rocha Loures foi apontado pela PGR como intermediário de valores que deveriam ser repassados ao presidente Temer. Esta é a versão que consta na primeira denúncia formulada pelo procurador-geral da República Rodrigo Janot, contra Temer. Mas ao que tudo indica, a versão pode não ser bem esta que Janot e Joesley Batista tentaram impor no calor do vazamento do acordo de  delação da JBS, amplamente explorado pela imprensa nos idos de maio.

Circulam informações nos corredores da PGR que Joesley Batista e Ricardo Saud
teriam abordado Rocha Loures com a promessa de lhe dar R$ 500 mil, caso
conseguisse agendar um encontro entre Joesley e Temer. O então assessor do
presidente teria perguntado: só isso? Saud teria garantido que sim e informado que
Joesley não queria acionar outros contatos, como o ministro da Fazenda, Henrique
Meirelles, para não criar embaraços.

A trama envolvendo Rocha Loures não era diferente daquela revelada na gravação
acidental entre Joesley Batista e Ricardo Saud sobre envolver o ex-ministro da Justiça,
José Eduardo Cardozo numa ação para gravar ministros do STF. O modus operandi
seria o mesmo, inclusive com a perspectiva de entregar a participação de Cardozo
posteriormente. Cardozo chegou a jantar na casa de Joesley para tratar do assunto e
foi gravado pelo dono da JBS na ocasião. Isto significa que a trama revelada na
gravação foi efetivamente colocada em prática.

O caso envolvendo Rocha Loures foi exatamente o mesmo. Assim como Joesley e
Ricardo Saud tramaram atrair José Eduardo Cardozo propondo que gravasse
autoridades para depois fritá-lo, convenceram Rocha Loures que ele receberia R$ 500
mil apenas para conseguir um encontro com Temer. A versão sobre os fatos
apresentada posteriormente pelos partícipes da trama foi então adaptada para aquilo
que queriam que parecesse.

Mas esta não é a única similaridade entre outras ações concebidas dentro da PGR. Na
véspera do encontro com o presidente Michel Temer, Joesley teve um encontro com o
então procurador-da República Marcello Miller, o especialista em treinamento para
gravações de Rodrigo Janot. Miller tem um histórico respeitável neste quesito.
Orientou o ex-presidente da Transpetro, Sérgio Machado, a gravar conversas com
políticos do PMDB. A gravação serviu de base para a denúncia apresentada por Janot
contra integrantes do governo Temer, como Romero Jucá.

Miller também esteve envolvido na gravação de Bernardo Cerveró, filho de Nestor
Cerveró em junho de 2016, bem antes da delação da JBS entrar no radar da PGR.
Miller instruiu Bernardo a gravar uma conversa com o então senador petista Delcídio
do Amaral, na qual o ex-senador oferecia um acordo para que seu pai, Nestor Cerveró,
não fechasse um acordo de delação premiada em troca de pagamentos mensais de R$
50 mil no exterior.

Os métodos da PGR de Janot e Miller acabaram se fundindo mais tarde aos métodos
de Joesley Batista e Ricardo Saud da JBS, mas diferentemente da primeira experiência
na forja de provas, as gravações feitas por Sérgio Machado e Joesley Batista foram claramente orientadas no sentido de obter algum diálogo que comprometesse seus interlocutores.

Esta é provavelmente a versão que deve começar a prevalecer, na medida em que os
fatos começarem a ser esclarecidos pela nova procuradora-geral da República, Raquel
Dodge e o depoimento do próprio Rodrigo Rocha Loures. Neste caso, Janot e Marcelo
Miller, juntamente com os açougueiros da Friboi podem se tornar alvos de novas
denúncias e de pedidos de prisão por parte da PGR.

A Polícia Federal já identificou que o gabinete de Janot não só tinha conhecimento de
que Miller trabalhava para a JBS como sabia que ele vinha atuando “de forma
indireta” no acordo de delação premiada firmado pela cúpula da empresa.

As evidências disso, de acordo com os policiais encarregados da investigação estão em uma série de mensagens do WhatsApp encontradas no celular de Marcelo Miller, que participava de um grupo de fechado de conversas com os irmãos Batista e diretores da JBS.

 

Imprensaviva

O que Fachin está escondendo dos brasileiros? O STF vai permitir que a maior trama da história da República permaneça em segredo?

Um dos maiores mistérios envolvendo a trama engendrada na Procuradoria-Geral da República por Rodrigo Janot e os açougueiros da JBS é sem dúvida o papel definido para o ex-assessor do presidente Michel Temer, o ex-suplente de deputado Rodrigo Rocha Loures.

O sujeito que ficou conhecido como o homem da mala é na verdade um velho conhecido do PT. Amigo de Marina Silva, Lula, Dilma e Roberto Requião, Rocha Loures é um ex-milionário e Filho de uma tradicionalíssima família curitibana. Frequentador dos dois clubes da elite local, o Graciosa Country e o Curitibano, também frequentados pelo ministro Luiz Edson Fachin e sua mulher, a desembargadora Rosana Fachin, o ingresso de Rocha Loures na trama da mala com R$ 500 mil até hoje não foi esclarecido pelo próprio Rocha Loures.

O ex-assessor de Temer foi convencido pelo executivo da JBS, Ricardo Saud, a cair numa armadilha planejada por Janot e Joesley e até hoje não se sabe com que propósito, exceto aquele descrito na denúncia feita por Janot contra Temer de que os R$ 500 mil eram para o presidente. Temer reagiu a denúncia da Globo e de Janot com veemência e garantiu que não tinha conhecimento sobre aquele episódio. Neste caso, existem apenas duas versões sobre o papel de Rocha Loures: a de Janot e Joesley, e a de Temer. Onde está a versão de Rocha Loures?

Apesar de sua convivência intensa com a turma da esquerda citada acima, Rocha Loures acabou se filiando ao PMDB por influência de Requião, de quem foi chefe de gabinete quando o peemedebista era governador do Paraná nos idos de 2003. Rocha Loures só conheceria Temer anos mais tarde, quando se elegeu deputado federal em 2006 pelo PMDB.

Já o ministro Edson Fachin chegou ao STF com patrocínio dos açougueiros da JBS e ciceroneado pelo executivo Ricardo Saud em sua romaria pelo senado em busca de votos para o cargo de ministro do Supremo. É isso mesmo. Fachin, mais conhecido como “ursão da Dilma”, conseguiu a vaga de ministro do STF graças ao patrocínio da JBS e à influência de Ricardo Saud, o canalha que aparece nas gravações com Joesley Batista confirmando que contara com a colaboração do ex-braço direito de Janot, Marcelo Miller, para tramar gravar Temer no Jaburu e conseguir o acordo de delação premiadíssima firmado por Janot e homologado por…Edson Fachin.

O Brasil ainda não engoliu o fato dos açougueiros da Friboi, que se tornaram bilionários graças à corrupção desenfreada dos governos de Lula e Dilma não apareceu com nenhuma prova contra seus cúmplices, apesar de ter embolsado nada menos que R$ 50 bilhões durante as administrações petistas. Como alguém que poupa outros criminosos envolvidos consegue um acordo de delação premiada cujo maior trunfo foi uma prova forjada?

Mas as situações mal explicadas ainda não terminaram. Em decisão publicada nesta sexta-feira, 8, o ministro Edson Fachin não atendeu a um pedido da defesa de Rodrigo Rocha Loures pelo acesso à totalidade dos áudios gravados por delatores do grupo J&F, incluindo os que estavam apagados e foram recuperados pela Polícia Federal, mantidos em sigilo. O ministro afirmou que deve ouvir as partes antes de tomar uma decisão sobre o tema. Além de Loures, a defesa do presidente Michel Temer também quer ter acesso a esse material.

Os quatro arquivos de áudios recuperados pela PF estão sob sigilo por decisão de Fachin. Uma das gravações é de um diálogo entre Joesley Batista e os advogados Francisco de Assis e Fernanda Tórtima, em conversa sobre o acordo de colaboração premiada que estava em negociação com a Procuradoria-Geral da República. Ao decretar o sigilo, o ministro afirma que o diálogo “ostenta caráter de indevassabilidade em razão do sigilo assegurado pela lei às comunicações entre advogados e clientes”.

Confira trecho em que Joesley Batista e Ricardo Saud comentam sobre a discordância da advogada Fernanda Tórtima em incluir o Supremo na delação premiada.

Segundo Joesley, a advogada advertiu: “Nossa senhora, peraí, calma, o Supremo não, peraí, calma, vai f***r meus amigos”.

Ricardo – Deixa eu falar uma coisa para você. O Marcelo deu uma tarefa para nós… agora acaba… é muito fácil, e quer mais, é isso? Já contou para o Janot… para entregar a fita… toca o enterro… no caso do Temer…

Joesley – Vamos lá, vamos dar um passo atrás. Na minha cabeça. Marcelo é do MPF. Ponto. O Marcelo tem linha direta com o Janot. Quando falo o Janot, é Janot, Pelella…

Ricardo – Te falei… Mandei a mensagem…

Joesley – Não, não… É tudo a mesma coisa. MPF é Janot, Pelella… Qual é o nome daquele outro? É o… Que a…que a…

Ricardo – Janot… ‘Perrella’…

Joesley – E o outro lá… Ricardo, nós somos… nós somos joia da coroa deles. O Marcelo já descobriu e já falou para o Janot: ‘Janot, nós temos o cara, nós temos o pessoal que vai dar todas as provas que nós precisamos’. Ele já entendeu isso. A Fernanda surtou por quê? Porque a Fernanda entendeu que nós somos muito mais e nós podemos muito mais. E aí até a Fernanda perdeu o controle. Ela falou: ‘Nossa senhora, peraí, calma, o Supremo não, peraí, calma, vai fu**r meus amigos, vai…’. Só para… Ricardinho, eu não vou conseguir te explicar e te falar assim… Ricardinho confia em mim. É o seguinte: vamos conversando tudo, nós vamos tocar esse negócio. Nós vamos sair lá na frente, nós vamos sair amigo de todo mundo e nós não vamos ser presos. Pronto. E nós vamos salvar a empresa.

Ricardo – Não, eu não ligo não. Eu não ligo com nada.

Joesley – Eu sei… mas…. eu não consegui te falar…

Ricardo – Eu não consigo entender o seguinte… Então, por que, então por que nós estamos assim tudo bacana, está só a joia da coroa e por que a Fernanda não acha isso?

Joesley – Calma. É porque ninguém comeu ela ainda.

Ricardo – Não. Profissionalmente… Agora é sério. Só para fechar meu caro. O povo… tão afinado com a gente. O cara mandou escrever tudo hoje. Escapou. Quarta-feira vamos entregar tudo 100%. Pergunto o seguinte: por que a Fernanda não fecha com a gente?

Joesley – Ela fecha. Ela fecha. Ricardinho, a maior agonia de todo mundo é porque é o seguinte: nós vamos chegar lá.

A advogada Fernanda Tórtima, que atuava para a JBS, abandonou a defesa de Joesley Batista esta semana.

Além das defesas de Temer e Loures, os advogados dos delatores também deverão ser ouvidos, bem como a própria Procuradoria-Geral da República, que ainda não se manifestou. Enquanto isso não acontece, Fachin fala em destruir as gravações e enterrar definitivamente o caso.

Para que seja concedido acesso aos áudios, é preciso que as partes abram mão do direito ao sigilo. Caso contrário, deve prevalecer a possibilidade de os arquivos serem apagados, de acordo com a lei 9.296/1996. “A gravação que não interessar à prova será inutilizada por decisão judicial, durante o inquérito, a instrução processual ou após esta, em virtude de requerimento do Ministério Público ou da parte interessada”, afirmou Fachin ao negar o acesso da defesa de Rocha Loures às gravações.

O Brasil inteiro quer conhecer a versão de Rocha Loures, o conteúdo das tais gravações, e também o que tanto Joesley Batista e Ricardo Saud queriam conversar com Edson Fachin, antes dele a citar a decisão sobre o pedido de prisão apresentado pela PGR na noite de sexta-feira, 8. O fato é que Janot não aguentou a pressão e jogou a bomba no colo de Fachin, que tem muito a explicar ao povo.

 

Com informação do Imprensaviva

Fachin deve anunciar pedido de prisão de Joesley Batista, Ricardo Saud e Marcelo Miller a qualquer momento

Ministro Fachin, relator da Lava Jato no STF, deve expedir mandados de prisão aos envolvidos na quebra de delação

Pressionado pelos colegas do Supremo Tribunal Federal, o ministro Edson Fachin teve que trabalhar neste fim de semana para definir logo a questão sobre os pedidos de prisão do principal acionista do grupo J&F (dono do frigorífico JBS-Friboi), Joesley Batista, do diretor Ricardo Saud e do ex-procurador Marcello Miller.

Ao que tudo indica, os colegas de Fachin na corte que foram atingidos nos ombros por uma ejaculação precoce de Joesley, não lhe deram muitas opções. Ou aceita ou aceita os pedidos de prisão enviados ao STF pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot, que também foi pressionado por todos os lados para acabar logo com a raça dos açougueiros da Friboi.

Por meio de sua defesa, Joesley Batista ainda pediu para ter uma “conversinha” com Fachin antes de sua decisão, mas o ministro do STF preferiu evitar ouvir possíveis chantagens do homem que patrocinou sua campanha ao cargo de ministro do Supremo.

Foram Janot e Fachin os patrocinadores do acordo com os criminosos da JBS/Friboi. Nada mais justo que impor aos dois que desfaçam a lambança e depois se entendam sobre seus problemas com os açougueiros no futuro.

 

Imprensaviva

Janot deveria se demitir

O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, deveria ter renunciado ontem ao cargo, sem esperar a data regulamentar de 17 de setembro. Com esse gesto, Janot demonstraria que afinal lhe restou alguma prudência, depois de ter se comportado de maneira tão descuidada – para dizer o mínimo – em todo o lamentável episódio envolvendo a delação premiada do empresário Joesley Batista.

Janot veio a público anteontem para informar que Joesley deliberadamente omitiu da Procuradoria-Geral informações cruciais em sua delação, especialmente o fato de que o empresário contou com a orientação ilegal de um auxiliar de Janot, o procurador Marcelo Miller, para produzir a bombástica delação contra o presidente Michel Temer e conseguir o precioso acordo que lhe garantiu imunidade total. No mesmo instante, o procurador-geral tinha por obrigação reconhecer que foi feito de bobo por um criminoso confesso e que não está à altura do cargo que ocupa.

Seria uma forma de reduzir um pouco o terrível dano que Janot causou ao trabalho dos que levam a sério a luta contra a corrupção. Pois o fato é que o procurador-geral da República se deixou seduzir pela possibilidade de pegar ninguém menos que o presidente da República, cuja cabeça lhe foi oferecida pelo finório Joesley Batista. Sem tomar a devida precaução, Janot considerou que a delação de Joesley e o flagrante armado pelo empresário contra Temer bastavam como prova de que o presidente da República, em suas palavras, “ludibriou os cidadãos brasileiros”. Vê-se agora quem foi ludibriado.

Em sua ação imprudente, Janot desconsiderou as suspeitas que recaíam sobre o procurador Marcelo Miller, que teria ajudado Joesley a preparar a delação contra Temer. Na época, o procurador-geral chegou a dizer que nada havia contra Miller, mesmo quando se soube que seu auxiliar havia pedido exoneração do cargo de procurador para trabalhar no escritório de advocacia que negociava o acordo de leniência da empresa de Joesley, a JBS. A exoneração veio a público no dia 6 de março, véspera do encontro entre Joesley e Temer no qual o empresário grampeou o presidente.

Quando Janot apresentou a denúncia contra Temer, ficou claro que o procurador-geral não tinha nada além de ilações. Evidenciou-se, então, que a inacreditável generosidade do acordo com Joesley, que em si mesma já era injustificável, não resultou em nada senão em doce impunidade para o esperto açougueiro.

Mesmo assim, Janot chegou a dizer, em evento recente, que “faria tudo de novo”, ou seja, que daria imunidade total a Joesley em troca do que o empresário tivesse a dizer contra Temer, ainda que fossem apenas meias-palavras, conversas cifradas e frases entrecortadas, que podiam ser interpretadas ao gosto do freguês.

Não era à toa, portanto, que Joesley se sentia tão à vontade. Cuidados básicos foram negligenciados pela Procuradoria-Geral, com aval do ministro Edson Fachin, antes que a denúncia contra Temer fosse apresentada. Nem mesmo uma perícia foi feita nas gravações que supostamente incriminavam o presidente. Quando ficou claro que as armações de Joesley não produziram as provas que Janot tanto alardeou, mesmo passados dois meses do escândalo, o Supremo Tribunal Federal deu outros 60 dias para que o empresário entregasse prometidos anexos que supostamente corroborariam o que ele dizia. Estava claro que, das duas, uma: ou Joesley não contou tudo o que sabia, protegendo sabe-se lá quem, ou contou tudo e, diante dos efeitos pífios, parecia querer manter o País em suspense com a promessa de mais informações, justificando a imunidade penal que ganhou de presente de Janot.

Tudo ficou ainda mais confuso quando se soube que Joesley tinha mais 40 horas de gravações que havia apagado do aparelho que entregou para perícia da Polícia Federal (PF). Quando circulou a informação de que a PF começou a resgatar esses arquivos, Joesley correu a entregar os áudios que faltavam.

É diante de fatos como esses que qualquer observador de bom senso há de questionar as intenções de Joesley Batista. E a competência de Rodrigo Janot. Ao procurador-geral faltaram tino profissional e bom senso. E de nada adianta vir agora dizer que tudo foi feito de “boa-fé”. Não se brinca dessa forma com o País.

O Estadão

O fim da farsa – ex-braço direito de Janot orientou Joesley Batista a gravar o presidente Michel Temer

O ex-procurador da República, Marcelo Miller, auxiliar direto do procurador-geral da República por três anos consecutivos, ajudou a formatar o encontro e a orientou o empresário Joesley Batias a gravar uma conversa como o presidente para justificar o acordo de delação. Esta é a mais grave conclusão que se extrai do áudio acidental que mostra Miller atuando para a JBS enquanto ainda exercia o cargo na PGR.

A gravação que já foi enviada para o ministro do Supremo Tribunal Federal, Edson Fachin, contém diálogos estarrecedores entre o empresário Joesley Batista e um de seus executivos, Ricardo Saud. Na gravação de quatro horas de duração, feita supostamente de forma acidental, os dois aparentam embriaguez e conversam descontraidamente sobre vários temas, inclusive com menções a quatro ministros do STF.

Um dos fatos mais graves contidos nos diálogos diz respeito a informações repassadas aos executivos do Grupo JBS por Marcelo Miller para ajudar a compor o script que culminaria na celebração do controverso acordo de delação, no qual Joesley Batista exigiu de Rodrigo Janot perdão total por todos os crimes assumidos por ele e por seus executivos.

A participação do ex-braço direito de Janot na confecção da trama foi fundamental para que os executivos da JBS construíssem uma narrativa irresistível e que justificasse tantos benefícios auferidos por Joesley Batista, seus familiares e executivos.

Marcelo Miller ex-procurador da republica que atuou na Lava Jato até março, e advoga para o escritório que defende Joesley Batista

Ao que tudo indica, Marcelo Miller participou não apenas da combinação para que Joesley tentasse obter alguma declaração comprometedora de Temer, mas também teria instruído os executivos do grupo a bolar a trama que envolveu o ex-assessor do presidente, o ex-suplente de deputado federal Rodrigo Rocha Loures.

Enquanto Joesley foi incumbido da tarefa de gravar Temer, Ricardo Saud assumiu a parte do envolvimento de Rocha Loures, atraindo o ex-assessor de Temer para uma armadilha devidamente registrada em uma ação controlada pela própria PGR, que se dispôs a convocar a Polícia Federal para forjar provas contra o presidente da República.

A gravação é inequívoca e deixa claro que ex-procurador da República Marcelo Miller atuava para o grupo bem antes de se exonerar do cargo e se prestou a assessorar a JBS na formulação de toda a trama, com vistas a garantir o acordo de delação premiada.

Em meio aos estratagemas traçados pelo grupo, Miller tornou-se sócio escritório Trench, Rossi & Watanabe, responsável na época por negociar os termos da leniência da JBS. O ex-braço direito de Janot então pediu exoneração do cargo, que só a efetivou em 5 de abril. Isto significa que, entre a data em que Miller começou a colaborar com Joesley Batista e a data de seu desligamento da PGR, Joesley já havia gravado a conversa com o presidente Michel Temer no Palácio do Jaburu. O encontro ocorreu em 7 de março. As evidências de que Marcelo Miller ajudou a formatar o encontro e a orientar Joesley a gravar o presidente contidas na gravação em poder da PGR e do STF comprovam a existência de uma trama ardilosa que teve dois propósitos distintos: derrubar o governo Temer e garantir a impunidade do empresário Joesley Batista e de seus cúmplices.

Os envolvidos na trama fracassaram no primeiro objetivo e Temer resistiu na Presidência. Resta saber se a impunidade de Joesley e de seus comparsas será mantida. O Brasil exige a divulgação dos áudios, assim como Temer exigiu na época do vazamento patrocinado pela Rede Globo.

O site Imprensa Viva vem denunciando esta possibilidade, agora comprovada, desde o dia 18 de maio, um dia após a Globo usar a gravação forjada pelo açougueiro da Friboi e o braço direito de Janot. O site recebeu várias críticas, seus editores foram ameaçados, inclusive por jornalistas a serviço da Globo. Desde então, o site tem sofrido tentativas de invasão e ataques de hackers de aluguel provenientes de países como a Tchéquia (a ex-República Tcheca) e Ucrânia. Apesar da pressão, da incompreensão de alguns leitores e também da falta de provas, este veículo jamais deixou de externar suas opiniões, por mais controversas que pudessem parecer. É com alívio que noticiamos estes fatos que abrem uma possibilidade para que a Justiça prevaleça, Ainda que de forma acidental.

 

Imprensaviva

Joesley diz ter medo de sair de casa e ser execrado publicamente como bandido

O criminoso confesso Joesley Batista afirmou que não tem coragem de sair de casa após ter revelado centenas de crimes que cometeu para ter acesso aos bilhões do dinheiro do contribuinte nos cofres do BNDES.

O empresário que chafurdou na lama da corrupção durante os governos de Lula e Dilma do PT disse em entrevista à Veja que ainda não esta pronto para fazer o “teste da rua”. O açougueiro “acha” que, hoje, sua imagem é a de alguém que cometeu uma série de crimes e não foi punido.

O açougueiro que ganhou um habeas corpus eterno do procurador-geral da República, Rodrigo Janot, parece não ter se dado conta de que jamais poderá andar nas ruas do país de cabeça erguida, a não ser que use um bom disfarce.

A maioria dos brasileiros que acredita que a corrupção é um instrumento genocida ainda acalenta o sonho de vê-lo atrás das grades. Entre o Mensalão e o impeachment de Dilma, o faturamento da JBS cresceu 4.150%, enquanto a Petrobras, Correios, Eletrobras outras estatais acumularam bilhões em dívidas e quase faliram.

 

MPF diz que Joesley omitiu crime e quer cobrar R$ 1 bilhão

A delação de Joesley serviu de base da denúncia contra Temer por corrupção passiva

O procurador Ivan Marx, do Ministério Público Federal (MPF) em Brasília, afirmou que o empresário Joesley Batista e executivos do Grupo J&F esconderam, em suas delações premiadas, crimes praticados no Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Apesar da imunidade penal obtida pelos delatores no acordo com o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, Marx disse que pretende apresentar denúncia pelos delitos e cobrar R$ 1 bilhão a mais da companhia por prejuízos ao erário.

Responsável pela Operação Bullish, que mira nos negócios do banco com o grupo, Marx afirmou que as fraudes em aportes bilionários feitos no conglomerado estão demonstradas na investigação.

“Onde eu digo que eles estão mentindo é no BNDES. A Bullish apontou mais de R$ 1 bilhão de problemas em contratos. Os executivos vão lá, fazem uma delação, conseguem imunidade e agora não querem responder à investigação”, disse à reportagem.

As delações dos executivos da J&F, que controla a JBS, serviram de base da denúncia contra o presidente Michel Temer (PMDB) por corrupção passiva. A Câmara vetou o prosseguimento da acusação. Janot, porém, deverá oferecer uma outra denúncia contra o peemedebista, com as delações como um dos elementos, por obstrução da Justiça e organização criminosa.

Entre 2005 e 2014, o BNDES aportou R$ 10,63 bilhões na J&F para viabilizar a aquisição de outras companhias, o que a transformou em líder mundial no segmento de proteína animal. A política foi amplamente adotada nos governos Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff.

Em delação, homologada pelo Supremo Tribunal Federal (STF), executivos da J&F disseram ter pago propina ao ex-ministro da Fazenda Guido Mantega para não atrapalhar os trâmites das operações no BNDES. Mantega nega. Porém, alegaram que não houve interferência na análise técnica e na concessão dos aportes.

Laudos da Bullish, deflagrada em maio, apontam, porém, fraudes em ao menos seis aportes. Marx disse que as investigações mostram, no mínimo, a ocorrência de gestão temerária nas operações. Para ele, isso justifica processar tanto os gestores do banco quanto os executivos, na condição de coautores. “O BNDES não fez isso sozinho. Foi sempre por demanda deles (JBS)”, afirmou, ressaltando que os crimes estão “muito bem detalhados” no inquérito. “A empresa errou quando se ‘esqueceu’ que o problema dela é o BNDES.” A operação avalia agora se houve outros delitos, além da gestão temerária. Não há prazo para eventual denúncia. Procurada, a JBS não se manifestou. O BNDES informou que não comentaria o caso.

Delação

Marx disse que não é sua tarefa, mas da PGR, tomar medidas para suspender ou anular colaborações. “O que me cabe é dizer que tenho prova dos crimes e processá-los.”

O procurador criticou ainda a conduta adotada com delatores, de chamá-los para complementar depoimentos quando se demonstra que ocultaram informações. “Se você provar, eu faço recall”, disse.

Marx avalia também ajuizar ação de improbidade administrativa para cobrar da JBS prejuízos causados pelas operações do BNDES, por ora calculados em R$ 1 bilhão. Segundo ele, esse valor não foi compensado pelo acordo de leniência de R$ 10,3 bilhões firmado pelas Operações Greenfield, Sépsis, Cui Bono?, Carne Fraca e também Bullish. O acordo foi divulgado, em nota do MPF, no dia 31 de maio.

A negociação foi conduzida pelos procuradores da Greenfield, que apura desvios em fundos de pensão. Marx disse que não participou da proposta. “Nós (da Bullish) não aderimos a esse acordo”, afirmou.

Marx tem feito outras críticas aos delatores da JBS. Como mostrou nesta segunda-feira, 14, a Coluna do Estadão, ele alega que a empresa tem sonegado documentos.

 

As informações são do jornal "O Estado de S. Paulo".