O que Fachin está escondendo dos brasileiros? O STF vai permitir que a maior trama da história da República permaneça em segredo?

Um dos maiores mistérios envolvendo a trama engendrada na Procuradoria-Geral da República por Rodrigo Janot e os açougueiros da JBS é sem dúvida o papel definido para o ex-assessor do presidente Michel Temer, o ex-suplente de deputado Rodrigo Rocha Loures.

O sujeito que ficou conhecido como o homem da mala é na verdade um velho conhecido do PT. Amigo de Marina Silva, Lula, Dilma e Roberto Requião, Rocha Loures é um ex-milionário e Filho de uma tradicionalíssima família curitibana. Frequentador dos dois clubes da elite local, o Graciosa Country e o Curitibano, também frequentados pelo ministro Luiz Edson Fachin e sua mulher, a desembargadora Rosana Fachin, o ingresso de Rocha Loures na trama da mala com R$ 500 mil até hoje não foi esclarecido pelo próprio Rocha Loures.

O ex-assessor de Temer foi convencido pelo executivo da JBS, Ricardo Saud, a cair numa armadilha planejada por Janot e Joesley e até hoje não se sabe com que propósito, exceto aquele descrito na denúncia feita por Janot contra Temer de que os R$ 500 mil eram para o presidente. Temer reagiu a denúncia da Globo e de Janot com veemência e garantiu que não tinha conhecimento sobre aquele episódio. Neste caso, existem apenas duas versões sobre o papel de Rocha Loures: a de Janot e Joesley, e a de Temer. Onde está a versão de Rocha Loures?

Apesar de sua convivência intensa com a turma da esquerda citada acima, Rocha Loures acabou se filiando ao PMDB por influência de Requião, de quem foi chefe de gabinete quando o peemedebista era governador do Paraná nos idos de 2003. Rocha Loures só conheceria Temer anos mais tarde, quando se elegeu deputado federal em 2006 pelo PMDB.

Já o ministro Edson Fachin chegou ao STF com patrocínio dos açougueiros da JBS e ciceroneado pelo executivo Ricardo Saud em sua romaria pelo senado em busca de votos para o cargo de ministro do Supremo. É isso mesmo. Fachin, mais conhecido como “ursão da Dilma”, conseguiu a vaga de ministro do STF graças ao patrocínio da JBS e à influência de Ricardo Saud, o canalha que aparece nas gravações com Joesley Batista confirmando que contara com a colaboração do ex-braço direito de Janot, Marcelo Miller, para tramar gravar Temer no Jaburu e conseguir o acordo de delação premiadíssima firmado por Janot e homologado por…Edson Fachin.

O Brasil ainda não engoliu o fato dos açougueiros da Friboi, que se tornaram bilionários graças à corrupção desenfreada dos governos de Lula e Dilma não apareceu com nenhuma prova contra seus cúmplices, apesar de ter embolsado nada menos que R$ 50 bilhões durante as administrações petistas. Como alguém que poupa outros criminosos envolvidos consegue um acordo de delação premiada cujo maior trunfo foi uma prova forjada?

Mas as situações mal explicadas ainda não terminaram. Em decisão publicada nesta sexta-feira, 8, o ministro Edson Fachin não atendeu a um pedido da defesa de Rodrigo Rocha Loures pelo acesso à totalidade dos áudios gravados por delatores do grupo J&F, incluindo os que estavam apagados e foram recuperados pela Polícia Federal, mantidos em sigilo. O ministro afirmou que deve ouvir as partes antes de tomar uma decisão sobre o tema. Além de Loures, a defesa do presidente Michel Temer também quer ter acesso a esse material.

Os quatro arquivos de áudios recuperados pela PF estão sob sigilo por decisão de Fachin. Uma das gravações é de um diálogo entre Joesley Batista e os advogados Francisco de Assis e Fernanda Tórtima, em conversa sobre o acordo de colaboração premiada que estava em negociação com a Procuradoria-Geral da República. Ao decretar o sigilo, o ministro afirma que o diálogo “ostenta caráter de indevassabilidade em razão do sigilo assegurado pela lei às comunicações entre advogados e clientes”.

Confira trecho em que Joesley Batista e Ricardo Saud comentam sobre a discordância da advogada Fernanda Tórtima em incluir o Supremo na delação premiada.

Segundo Joesley, a advogada advertiu: “Nossa senhora, peraí, calma, o Supremo não, peraí, calma, vai f***r meus amigos”.

Ricardo – Deixa eu falar uma coisa para você. O Marcelo deu uma tarefa para nós… agora acaba… é muito fácil, e quer mais, é isso? Já contou para o Janot… para entregar a fita… toca o enterro… no caso do Temer…

Joesley – Vamos lá, vamos dar um passo atrás. Na minha cabeça. Marcelo é do MPF. Ponto. O Marcelo tem linha direta com o Janot. Quando falo o Janot, é Janot, Pelella…

Ricardo – Te falei… Mandei a mensagem…

Joesley – Não, não… É tudo a mesma coisa. MPF é Janot, Pelella… Qual é o nome daquele outro? É o… Que a…que a…

Ricardo – Janot… ‘Perrella’…

Joesley – E o outro lá… Ricardo, nós somos… nós somos joia da coroa deles. O Marcelo já descobriu e já falou para o Janot: ‘Janot, nós temos o cara, nós temos o pessoal que vai dar todas as provas que nós precisamos’. Ele já entendeu isso. A Fernanda surtou por quê? Porque a Fernanda entendeu que nós somos muito mais e nós podemos muito mais. E aí até a Fernanda perdeu o controle. Ela falou: ‘Nossa senhora, peraí, calma, o Supremo não, peraí, calma, vai fu**r meus amigos, vai…’. Só para… Ricardinho, eu não vou conseguir te explicar e te falar assim… Ricardinho confia em mim. É o seguinte: vamos conversando tudo, nós vamos tocar esse negócio. Nós vamos sair lá na frente, nós vamos sair amigo de todo mundo e nós não vamos ser presos. Pronto. E nós vamos salvar a empresa.

Ricardo – Não, eu não ligo não. Eu não ligo com nada.

Joesley – Eu sei… mas…. eu não consegui te falar…

Ricardo – Eu não consigo entender o seguinte… Então, por que, então por que nós estamos assim tudo bacana, está só a joia da coroa e por que a Fernanda não acha isso?

Joesley – Calma. É porque ninguém comeu ela ainda.

Ricardo – Não. Profissionalmente… Agora é sério. Só para fechar meu caro. O povo… tão afinado com a gente. O cara mandou escrever tudo hoje. Escapou. Quarta-feira vamos entregar tudo 100%. Pergunto o seguinte: por que a Fernanda não fecha com a gente?

Joesley – Ela fecha. Ela fecha. Ricardinho, a maior agonia de todo mundo é porque é o seguinte: nós vamos chegar lá.

A advogada Fernanda Tórtima, que atuava para a JBS, abandonou a defesa de Joesley Batista esta semana.

Além das defesas de Temer e Loures, os advogados dos delatores também deverão ser ouvidos, bem como a própria Procuradoria-Geral da República, que ainda não se manifestou. Enquanto isso não acontece, Fachin fala em destruir as gravações e enterrar definitivamente o caso.

Para que seja concedido acesso aos áudios, é preciso que as partes abram mão do direito ao sigilo. Caso contrário, deve prevalecer a possibilidade de os arquivos serem apagados, de acordo com a lei 9.296/1996. “A gravação que não interessar à prova será inutilizada por decisão judicial, durante o inquérito, a instrução processual ou após esta, em virtude de requerimento do Ministério Público ou da parte interessada”, afirmou Fachin ao negar o acesso da defesa de Rocha Loures às gravações.

O Brasil inteiro quer conhecer a versão de Rocha Loures, o conteúdo das tais gravações, e também o que tanto Joesley Batista e Ricardo Saud queriam conversar com Edson Fachin, antes dele a citar a decisão sobre o pedido de prisão apresentado pela PGR na noite de sexta-feira, 8. O fato é que Janot não aguentou a pressão e jogou a bomba no colo de Fachin, que tem muito a explicar ao povo.

 

Com informação do Imprensaviva

Fachin deve anunciar pedido de prisão de Joesley Batista, Ricardo Saud e Marcelo Miller a qualquer momento

Ministro Fachin, relator da Lava Jato no STF, deve expedir mandados de prisão aos envolvidos na quebra de delação

Pressionado pelos colegas do Supremo Tribunal Federal, o ministro Edson Fachin teve que trabalhar neste fim de semana para definir logo a questão sobre os pedidos de prisão do principal acionista do grupo J&F (dono do frigorífico JBS-Friboi), Joesley Batista, do diretor Ricardo Saud e do ex-procurador Marcello Miller.

Ao que tudo indica, os colegas de Fachin na corte que foram atingidos nos ombros por uma ejaculação precoce de Joesley, não lhe deram muitas opções. Ou aceita ou aceita os pedidos de prisão enviados ao STF pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot, que também foi pressionado por todos os lados para acabar logo com a raça dos açougueiros da Friboi.

Por meio de sua defesa, Joesley Batista ainda pediu para ter uma “conversinha” com Fachin antes de sua decisão, mas o ministro do STF preferiu evitar ouvir possíveis chantagens do homem que patrocinou sua campanha ao cargo de ministro do Supremo.

Foram Janot e Fachin os patrocinadores do acordo com os criminosos da JBS/Friboi. Nada mais justo que impor aos dois que desfaçam a lambança e depois se entendam sobre seus problemas com os açougueiros no futuro.

 

Imprensaviva

Janot deveria se demitir

O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, deveria ter renunciado ontem ao cargo, sem esperar a data regulamentar de 17 de setembro. Com esse gesto, Janot demonstraria que afinal lhe restou alguma prudência, depois de ter se comportado de maneira tão descuidada – para dizer o mínimo – em todo o lamentável episódio envolvendo a delação premiada do empresário Joesley Batista.

Janot veio a público anteontem para informar que Joesley deliberadamente omitiu da Procuradoria-Geral informações cruciais em sua delação, especialmente o fato de que o empresário contou com a orientação ilegal de um auxiliar de Janot, o procurador Marcelo Miller, para produzir a bombástica delação contra o presidente Michel Temer e conseguir o precioso acordo que lhe garantiu imunidade total. No mesmo instante, o procurador-geral tinha por obrigação reconhecer que foi feito de bobo por um criminoso confesso e que não está à altura do cargo que ocupa.

Seria uma forma de reduzir um pouco o terrível dano que Janot causou ao trabalho dos que levam a sério a luta contra a corrupção. Pois o fato é que o procurador-geral da República se deixou seduzir pela possibilidade de pegar ninguém menos que o presidente da República, cuja cabeça lhe foi oferecida pelo finório Joesley Batista. Sem tomar a devida precaução, Janot considerou que a delação de Joesley e o flagrante armado pelo empresário contra Temer bastavam como prova de que o presidente da República, em suas palavras, “ludibriou os cidadãos brasileiros”. Vê-se agora quem foi ludibriado.

Em sua ação imprudente, Janot desconsiderou as suspeitas que recaíam sobre o procurador Marcelo Miller, que teria ajudado Joesley a preparar a delação contra Temer. Na época, o procurador-geral chegou a dizer que nada havia contra Miller, mesmo quando se soube que seu auxiliar havia pedido exoneração do cargo de procurador para trabalhar no escritório de advocacia que negociava o acordo de leniência da empresa de Joesley, a JBS. A exoneração veio a público no dia 6 de março, véspera do encontro entre Joesley e Temer no qual o empresário grampeou o presidente.

Quando Janot apresentou a denúncia contra Temer, ficou claro que o procurador-geral não tinha nada além de ilações. Evidenciou-se, então, que a inacreditável generosidade do acordo com Joesley, que em si mesma já era injustificável, não resultou em nada senão em doce impunidade para o esperto açougueiro.

Mesmo assim, Janot chegou a dizer, em evento recente, que “faria tudo de novo”, ou seja, que daria imunidade total a Joesley em troca do que o empresário tivesse a dizer contra Temer, ainda que fossem apenas meias-palavras, conversas cifradas e frases entrecortadas, que podiam ser interpretadas ao gosto do freguês.

Não era à toa, portanto, que Joesley se sentia tão à vontade. Cuidados básicos foram negligenciados pela Procuradoria-Geral, com aval do ministro Edson Fachin, antes que a denúncia contra Temer fosse apresentada. Nem mesmo uma perícia foi feita nas gravações que supostamente incriminavam o presidente. Quando ficou claro que as armações de Joesley não produziram as provas que Janot tanto alardeou, mesmo passados dois meses do escândalo, o Supremo Tribunal Federal deu outros 60 dias para que o empresário entregasse prometidos anexos que supostamente corroborariam o que ele dizia. Estava claro que, das duas, uma: ou Joesley não contou tudo o que sabia, protegendo sabe-se lá quem, ou contou tudo e, diante dos efeitos pífios, parecia querer manter o País em suspense com a promessa de mais informações, justificando a imunidade penal que ganhou de presente de Janot.

Tudo ficou ainda mais confuso quando se soube que Joesley tinha mais 40 horas de gravações que havia apagado do aparelho que entregou para perícia da Polícia Federal (PF). Quando circulou a informação de que a PF começou a resgatar esses arquivos, Joesley correu a entregar os áudios que faltavam.

É diante de fatos como esses que qualquer observador de bom senso há de questionar as intenções de Joesley Batista. E a competência de Rodrigo Janot. Ao procurador-geral faltaram tino profissional e bom senso. E de nada adianta vir agora dizer que tudo foi feito de “boa-fé”. Não se brinca dessa forma com o País.

O Estadão

Joesley diz ter medo de sair de casa e ser execrado publicamente como bandido

O criminoso confesso Joesley Batista afirmou que não tem coragem de sair de casa após ter revelado centenas de crimes que cometeu para ter acesso aos bilhões do dinheiro do contribuinte nos cofres do BNDES.

O empresário que chafurdou na lama da corrupção durante os governos de Lula e Dilma do PT disse em entrevista à Veja que ainda não esta pronto para fazer o “teste da rua”. O açougueiro “acha” que, hoje, sua imagem é a de alguém que cometeu uma série de crimes e não foi punido.

O açougueiro que ganhou um habeas corpus eterno do procurador-geral da República, Rodrigo Janot, parece não ter se dado conta de que jamais poderá andar nas ruas do país de cabeça erguida, a não ser que use um bom disfarce.

A maioria dos brasileiros que acredita que a corrupção é um instrumento genocida ainda acalenta o sonho de vê-lo atrás das grades. Entre o Mensalão e o impeachment de Dilma, o faturamento da JBS cresceu 4.150%, enquanto a Petrobras, Correios, Eletrobras outras estatais acumularam bilhões em dívidas e quase faliram.

 

Ao acusar Sarney de “corrupção passiva e lavagem de dinheiro”, Janot parece fazer birra contra ex-presidente

O ex-presidente da República José Sarney (PMDB) terminou a semana numa situação em que poderá ter fortes dores de cabeça, mas que dificilmente evoluirá para um tombo político ou coisa parecida. Ele foi denunciado, na sexta-feira (25), pelo ainda procurador geral da República, Rodrigo Janot, ao Supremo Tribunal Federal (STF), por “corrupção passiva e lavagem de dinheiro”, juntamente com os senadores Renan Calheiros, Romero Jucá, Waldir Raupp, Garibaldi Alves, todos do PMDB, e o ex-presidente da Petrus, Sérgio Machado, que os delatou.

Aos 87 anos, sem mandato, mas ainda exercendo forte influência no PMDB e no cenário político nacional como um todo, o ex-presidente foi acusado de receber propina milionária da Petrus para bancar sua última e vitoriosa campanha ao Senado da República pelo Amapá e também a corrida fracassada da ex-governadora Roseana Sarney (PMDB) ao Governo do Maranhão em 2006. Nada há de prova concreta, material, que dê sustentação à delação de Sérgio Machado em relação ao ex-presidente da República, que já foi inocentado da acusação de atentar contra a Operação Lava Jato e obstruir em processos envolvendo seus aliados pemedebistas, com base em gravações de conversas feitas pelo ex-senador cearense.

Com a aparência de um caso pensado com o propósito de melar de vez a biografia de um dos políticos mais importantes do País na segunda metade do século passado, a denúncia de Rodrigo Janot contra está lastreada única e exclusivamente nas afirmações de Sérgio Machado. Nela, não há informações sobre mala de dinheiro entregue à Sarney, não se encontra relatos de que a dinheirama chegou ao ex-presidente em parcelas de tanto nestes e naqueles locais, não há qualquer informação de que Sarney tenha recebido pessoalmente pelo menos um pacote, um envelope ou uma cédula sequer da suposta propina incluída no pacote de denúncias contra os senadores pelo procurador geral da República em fim de mandato. Tanto que o advogado de José Sarney, o badalado criminalista Antônio Carlos de Almeida Castro, atacou a iniciativa do chefe da PGR afirmando que a denúncia está baseada numa “delação desmoralizada”, opinião compartilhada até mesmo por segmentos da Polícia Federal que a investiga e até mesmo em algumas vozes entre procuradores.

A suspeita de que a denúncia do ainda chefe do Ministério Público Federal esteja alimentando uma birra contra o ex-presidente da República ganha peso, a começar pelo fato de que as investigações feitas até aqui não resultaram em fatos concretos e irrefutáveis. Sarney já foi inclusive inocentado da acusação de atentar contra a Operação Lava Jato tentando obstruir a Justiça em processos envolvendo seus aliados pemedebistas. Sobraram as declarações de Sérgio Machado sobre o suposto repasse de propina, que deram a Rodrigo Janot a oportunidade de metralhar o ex-presidente, misturando-o com Calheiros, Jucá, Raupp e Alves, do modo a impingir-lhe a pecha de corrupto, algo que seus adversários políticos mais duros conseguiram fazer nos períodos mais críticos das guerras que travaram contra ele. Antes, durante e depois de exercer a presidência da República, José Sarney foi duramente atacado como um líder político sedento de poder, que articula, arma e trama para minar seu adversários, mas ninguém o acusou, com dados concretos, de ser corrupto e de praticar violência como arma política. Não há, portanto, registros contendo indícios consistentes e inquestionáveis de que ele tenha sido pilhado com a mão no jarro, beneficiando-se de dinheiro público. Quando presidente, algumas suspeitas atingiram fortemente seu Governo, mas em nenhum delas o envolveu, no todo ou em parte.

No caso da delação do ex-presidente da Petrus, o que está sendo  investigado é um suposto esquema de desvio para bancar campanhas do PMDB e do PT. Nesse contexto, não é descartável a possibilidade de que quantias elevadas tenham sido repassadas à agremiação pemedebista e que parte delas tenham turbinado campanhas de Sarney e aliados no Maranhão e no Amapá. Mas daí a apontá-lo como um corrupto passivo e lavador de dinheiro sujo há uma distância imensa. É claro que petardos como esse disparados contra sua biografia, que ele protege com obstinada determinação, mexem com a sua vaidade política, mas com a sabedoria acumulada ao longo de quase 90 anos, poucos duvidam de que o ex-presidente sairá ileso. Por falta de provas.

Do Blog Repórter Tempo

MPF diz que Joesley omitiu crime e quer cobrar R$ 1 bilhão

A delação de Joesley serviu de base da denúncia contra Temer por corrupção passiva

O procurador Ivan Marx, do Ministério Público Federal (MPF) em Brasília, afirmou que o empresário Joesley Batista e executivos do Grupo J&F esconderam, em suas delações premiadas, crimes praticados no Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Apesar da imunidade penal obtida pelos delatores no acordo com o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, Marx disse que pretende apresentar denúncia pelos delitos e cobrar R$ 1 bilhão a mais da companhia por prejuízos ao erário.

Responsável pela Operação Bullish, que mira nos negócios do banco com o grupo, Marx afirmou que as fraudes em aportes bilionários feitos no conglomerado estão demonstradas na investigação.

“Onde eu digo que eles estão mentindo é no BNDES. A Bullish apontou mais de R$ 1 bilhão de problemas em contratos. Os executivos vão lá, fazem uma delação, conseguem imunidade e agora não querem responder à investigação”, disse à reportagem.

As delações dos executivos da J&F, que controla a JBS, serviram de base da denúncia contra o presidente Michel Temer (PMDB) por corrupção passiva. A Câmara vetou o prosseguimento da acusação. Janot, porém, deverá oferecer uma outra denúncia contra o peemedebista, com as delações como um dos elementos, por obstrução da Justiça e organização criminosa.

Entre 2005 e 2014, o BNDES aportou R$ 10,63 bilhões na J&F para viabilizar a aquisição de outras companhias, o que a transformou em líder mundial no segmento de proteína animal. A política foi amplamente adotada nos governos Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff.

Em delação, homologada pelo Supremo Tribunal Federal (STF), executivos da J&F disseram ter pago propina ao ex-ministro da Fazenda Guido Mantega para não atrapalhar os trâmites das operações no BNDES. Mantega nega. Porém, alegaram que não houve interferência na análise técnica e na concessão dos aportes.

Laudos da Bullish, deflagrada em maio, apontam, porém, fraudes em ao menos seis aportes. Marx disse que as investigações mostram, no mínimo, a ocorrência de gestão temerária nas operações. Para ele, isso justifica processar tanto os gestores do banco quanto os executivos, na condição de coautores. “O BNDES não fez isso sozinho. Foi sempre por demanda deles (JBS)”, afirmou, ressaltando que os crimes estão “muito bem detalhados” no inquérito. “A empresa errou quando se ‘esqueceu’ que o problema dela é o BNDES.” A operação avalia agora se houve outros delitos, além da gestão temerária. Não há prazo para eventual denúncia. Procurada, a JBS não se manifestou. O BNDES informou que não comentaria o caso.

Delação

Marx disse que não é sua tarefa, mas da PGR, tomar medidas para suspender ou anular colaborações. “O que me cabe é dizer que tenho prova dos crimes e processá-los.”

O procurador criticou ainda a conduta adotada com delatores, de chamá-los para complementar depoimentos quando se demonstra que ocultaram informações. “Se você provar, eu faço recall”, disse.

Marx avalia também ajuizar ação de improbidade administrativa para cobrar da JBS prejuízos causados pelas operações do BNDES, por ora calculados em R$ 1 bilhão. Segundo ele, esse valor não foi compensado pelo acordo de leniência de R$ 10,3 bilhões firmado pelas Operações Greenfield, Sépsis, Cui Bono?, Carne Fraca e também Bullish. O acordo foi divulgado, em nota do MPF, no dia 31 de maio.

A negociação foi conduzida pelos procuradores da Greenfield, que apura desvios em fundos de pensão. Marx disse que não participou da proposta. “Nós (da Bullish) não aderimos a esse acordo”, afirmou.

Marx tem feito outras críticas aos delatores da JBS. Como mostrou nesta segunda-feira, 14, a Coluna do Estadão, ele alega que a empresa tem sonegado documentos.

 

As informações são do jornal "O Estado de S. Paulo".

 

PF indica que acordo de delação da JBS deve ser anulado

O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, meteu mesmo os pés pelas mãos quando firmou o controverso acordo de delação premiada com os executivos da JBS. Sem contar com a participação da Polícia Federal ou dos procuradores da República da Lava Jato, em Curitiba, Janot se reuniu e combinou sozinho com os irmãos Batista e concedeu aos executivos do grupo imunidade total, mesmo sem ter recebido provas sobre seus relatos.

O delegado Márcio Anselmo, um dos integrantes mais importantes desde o início da Operação Lava Jato, discorda dos métodos de Janot. Sem citar acordos suspeitos, como os de Sérgio Machado e Joesley Batista, o delegado da Polícia Federal acusou Rodrigo Janot de tentar reduzir o papel da PF: Márcio Anselmo deu a seguinte entrevista ao Estadão:

“O atual PGR passou a adotar uma postura de tentar reduzir a capacidade da polícia (que detêm o poder de investigação assegurado pela constituição) para se auto afirmar como ‘investigador’. Se cada um cumprisse sua função constitucional, a situação seria bem melhor para o sistema de justiça criminal. Infelizmente, o que se observa no Brasil é que cada órgão quer realizar o trabalho do outro e esquece do seu. Não é possível que uma colaboração seja firmada pelo Ministério Público sem sequer tomar conhecimento dos elementos que a polícia judiciária já tem numa investigação. Pode estar oferecendo benefícios por ‘provas’ que já estão de posse da polícia. Quem perde com essa postura certamente é a sociedade”.

É claro que as declarações públicas de um dos mais importantes membros da Lava Jato não chegam nem perto do que se comenta nos bastidores da PF. Janot tentou destruir a Lava Jato para blindar gente ligada aos esquemas criminosos praticados durante os governos petistas de Lula e Dilma. Tudo isso deve ser revisto nos próximos meses, após o término do mandato de Janot em setembro. Além dos acordos de Sérgio Machado, Delcídio Amaral e da própria Odebrecht, que sequer levaram Lula, Dilma e Mantega para a prisão, a PF deve se debruçar nas tretas de Janot envolvendo o acordo com os açougueiros da JBS-Friboi

 

Com informações do Estadão

Fato: Janot denunciou Temer apenas para livrar Joesley da cadeia, mesmo tendo confessado 1890 crimes de corrupção

Não há como contestar este fato. O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, livrou da cadeia o maior beneficiário e benfeitor dos governos corruptos do PT, Joesley Batista. Resta saber agora se foi preciso envolver Temer em uma trama criminosa para justificar os benefícios indecentes concedidos ao empresário que confessou ter corrompido nada menos que 1890 políticos em todo o Brasil.

Fato: Joesley confessou que sem a cultura criminosa que imperou nos governos do PT, jamais teria tido acesso ao dinheiro do contribuinte e hoje seria apenas um açougueiro no interior de Goiás.

Fato: em troca de um indecente acordo de delação premiada, cujo maior trunfo alegado era a denúncia de um presidente da República, Joesley não entregou nenhuma prova consistente, robusta e incontestável contra Temer. Caso contrário, seu governo teria caído no mesmo dia, como queria a Rede Globo, Janot e o PT.

Fato: Toda a imprensa brasileira se voltou contra o governo Temer e poupou os criminosos da JBS, que drenaram dos cofres públicos mais de R$ 60 bilhões em troca de propinas para políticos e partidos.

Fato: Joesley é cria de Lula, Dilma e do PT, que estranhamente não foram comprometidos com provas robustas sobre seus crimes, que não possuem foro privilegiado e, apesar disso, estão todos livres, leves e soltos, pedindo a saída de Temer.

Fato: até o momento, o único que impôs algum tipo de penalidade contra os criminosos da JBS foi justamente o presidente Michel Temer, que elevou o valor das multas da CVM (Comissão de Valores Mobiliários) de R$ 500 mil para R$ 500 milhões. O Grupo JBS de Joesley é alvo de nove processos na CVM por lucrarem bilhões especulando no mercado financeiro usando o próprio acordo de delação premiada. Temer ordenou a Petrobras a cancelar o fornecimento de gás para uma termelétrica do Grupo J&F, com base na cláusula anticorrupção constante no contrato entre as empresas. A Caixa Econômica cancelou uma linha de crédito da JBS de R$ 9 bilhões pelo mesmo motivo.

Fato: Temer foi implacável com o PT e seus asseclas desde os primeiros dias de governo, demitindo mais de 20 mil ocupantes de cargos comissionados, cortando mordomias de Dilma e de sua filha, acabando com repasses ao MST, CUT e outros braços políticos do PT, acabou com a mamata da Lei Rouanet, acabou com o famigerado imposto sindical obrigatório que sustentava mais de 300 mil sindicalistas a serviço do PT, acabou com os repasses bilionários do dinheiro do BNDES para empresas amigas do PT, como a Globo, JBS e Oi.

Fato: Janot fechou sozinho o acordo com os criminosos da JBS, em tempo recorde, sem a participação da Polícia Federal e dos membros da força-tarefa do Ministério Público Federal na Lava Jato em Curitiba.

Fato: o acordo suspeito de Janot com os criminosos da JBS manchou a reputação da Operação Lava Jato, o que forçou a Polícia Federal a desligar a força-tarefa do MPF da base de investigações em Curitiba. Os procuradores foram apontados como responsáveis por vazamentos, uso político da operação e suspeitos de agirem de acordo com instruções de Janot, que blindou o PT em vários episódios, como no caso do ex-presidente da Transpetro, Sérgio Machado. Em outras frentes, Janot barrou acordos de delação mortais contra o PT, como o de Marcos Valério, Pedro Corrêa e Léo Pinheiro.

Fato: O petista Edson Fachin, conhecido como o “ursão” de Dilma, violou a Lei de Delação e homologou o acordo dos criminosos da JBS-Friboi, mesmo sendo Joesley Batista apontado como chefe de organização criminosa. Fachin alegou não ter lido os termos do acordo e disse que verificou apenas se havia a presença de um advogado e se Joesley fez o acordo de livre e espontânea vontade.

Fato: Fachin é petista, chegou ao cargo de ministro do STF com a ajuda da JBS e prevaricou.

Fato: todos que pedem a saída de Temer agora são justamente aqueles que espernearam com a saída de Dilma. Os mesmos políticos que se beneficiaram de 13 anos de corrupção do PT, os mesmos artistas que mamaram R$ 15 bilhões da Lei Rouanet, a mesma Globo que foi contemplada com R$ 6.2 bilhões em verbas de publicidade em apenas 7 anos de governos do PT.

Fato: O site Imprensa Viva é favorável a qualquer medida, ação ou política de desmonte dos 13 anos de ação criminosa do PT no Brasil

Fato: a Globo, JBS e Janot tentaram derrubar o governo Temer e ninguém apresentou o nome de seu substituto. A burrice ou má fé neste caso é flagrante. O Brasil já sofreu demais nas mãos dessa gente. Que o diga os mais de 14 milhões de desempregados e mais de 500 mil empresários que faliram. Não há como trocar o certo pelo duvidoso, pelo desconhecido.

Fato: Temer recuperou a economia, baixou os juros, a inflação, o dólar, começou a gerar empregos e atrair investimentos para o país. O governo promoveu uma recuperação recorde no sistema público de saúde no país, que estava em situação caótica quando assumiu. Temer salvou a Petrobras da falência, salvou mais de 90 mil empregos e acabou com a farra da nomeação de cargos por indicação política na estatal.

Fato: o mercado, os empresários e a economia reagem positivamente a qualquer sinal de permanência do governo, assim como reage bem a qualquer sinal da prisão de Lula, Dilma e dos criminosos do PT. Pelo menos neste momento, Temer no governo significa mais estabilidade, mais emprego. A ameaça de alguém ligado ao PT e a Globo chegar ao poder significa desemprego, fuga de capitais, alta da inflação e dos juros.

Fato: não há como admitir que um criminoso confesso como Joesley Batista seja protegido por Janot, pela Globo e seus satélites, enquanto atacam o governo e promovem o caos na economia para lucrar no mercado financeiro com a desgraça do povo.

Fato: 2018 está logo ali. Se Temer cometeu algum crime, logo poderá responder por eles na Justiça, o que é bem pouco provável devido a inconsistência da acusação que pesa contra ele, a única em seus mais de 40 anos de vida pública.No quesito prioridade, o Brasil tem vários criminosos que devem ser presos antes disso, como o próprio Joesley Batista, Dilma, Lula, Guido Mantega, Eike Batista, José Dirceu e outros bandidos que vem destruindo e roubando sem piedade o dinheiro do contribuinte há mais de uma década.

Fato: estão escondendo o ex-suplente de deputado Rodrigo Rocha Loures. Temer substituiu o ministro da Justiça, Osmar Serraglio justamente para jogar Rocha Loures no colo de Edson Fachin e de Janot. De quem era o dinheiro da mala entregue a Rocha Loures? Da JBS, da Polícia Federal ou da PGR? Por que tiraram o chip que havia sindo instalado na mala? Por que não esperaram o dinheiro chegar ao seu destino? Se Temer sabe que pode ser incriminado por Rocha Loures, por qual motivo teria desafiado a Globo, o STF e Rodrigo Janot, lembrando que o procurador pode ter recebido milhões da JBS? Diante destes fatos, o povo precisa definir de que lado está. A oposição mente sobre a possibilidade de eleição direta após a queda de Temer. É uma manobra suja para colocar em seu lugar alguém conivente com o que há de pior no sistema político do Brasil. É preciso assumir uma postura em defesa daquilo que é melhor para o país, para a economia e para o emprego de milhões de chefes de família. A queda de Temer mergulharia o país no caso, diante das incertezas sobre quem o sucederia na Presidência.

É preciso escolher um lado. As opções são: Ficar ao lado da Globo, de Janot, Fachin e dos criminosos do PT ou dar suporte ao atual governo pelo menos até as eleições de 2018. Este é um momento da história em que os brasileiros sensatos e responsáveis precisam ser pragmáticos, sem hipocrisia, sem fazer coro com o mi mi mi dos esquerdopatas. Nesta batalha pelo bem do país, não há meio termo.

Fato: Temer é um mero presidente transitório e não há motivos para esta sangria desatada para derrubar o governo agora, faltando apenas um ano para as próximas eleições presidenciais.

Fato: Aqueles que atentam agora contra as instituições do país são inimigos do Brasil e não têm qualquer responsabilidade ou piedade dos mais vulneráveis às crises políticas e econômicas que patrocinam, onde apenas uma minaria sai lucrando.

Fato: fazer coro com os órfãos de Lula, Dilma e do PT ou pregar a santidade absoluta na política é coisa de gente estúpida ou mal-intencionada.

Imprensaviva

Gilmar Mendes diz que Janot é o procurador-geral “mais desqualificado da história”

Do G1

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes disse nesta segunda-feira (7) que considera o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, desqualificado e sem preparo jurídico nem emocional.

“Quanto a Janot, eu o considero o procurador-geral mais desqualificado que já passou pela história da procuradoria. Porque ele não tem condições, na verdade não tem preparo jurídico nem emocional para dirigir algum órgão dessa importância”, avaliou o ministro em entrevista à Rádio Gaúcha.

A declaração foi dada em meio a questionamentos sobre o trabalho da Operação Lava Jato, da atuação da Procuradoria-Geral da República (PGR) e do STF. Mendes, que também é presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), critica as delações premiadas.

Na entrevista, o ministro disse acreditar que o que foi firmado com os executivos da JBS, que embasou denúncia por corrupção contra o presidente Michel Temer, será revisto.

“Tenho absoluta certeza de que o será. Como agora a Polícia Federal acaba de pedir a reavaliação do caso do Sérgio Machado, que é um desses casos escandalosos de acordo. Certamente vai ser sucitado em algum processo e será reavaliado”, complementou.

O relator das delações premiadas de executivos da JBS no STF é o ministro Luiz Edson Fachin.

Os donos da empresa, Joesley e Wesley Batista, além do executivo Ricardo Saud e outros funcionários da JBS, fecharam acordo de delação premiada com o Ministério Público Federal no âmbito da Lava Jato. As delações foram homologadas por Fachin e o conteúdo, divulgado no mês de maio.

No fim do mês de junho,o STF decidiu manter Fachin na relatoria dos processos da JBS e aprovar a homologação da delação premiada dos executivos da empresa pelo ministro monocraticamente, sem a participação dos outros ministros da Corte.

Mendes concordou com a manutenção de Fachin, mas defendeu que o Ministério Público não pode ter todo o poder sobre o acordo de delação premiada. Segundo ele, a homologação deve ser feita pelo colegiado de ministros.

Ainda na entrevista à Gaúcha, Gilmar Mendes disse que considera a Lava Jato importante. Porém, acrescenta que podem ocorrer equívocos.

“Não é verdade que eu tenha dito que a Lava Jato deixou de ser importante. Acho os trabalhos extremamente importantes, mas isso não me compromete com eventuais equívoco. Sempre fui uma voz vencida na segunda turma quanto ao aumento das prisões da Lava Jato. Foi eu que votei o habeas [corpus], fui o terceiro voto, de desempate, no caso do Dirceu [José Dirceu]”, justificou.

Encontro com Temer

Na noite de domingo (6), Michel Temer recebeu no Palácio do Jaburu Gilmar Mendes. O encontro não constava na agenda do presidente, mas sim na do ministro. Porém, não mencionava o tema que seria tratado. O ministro da Secretaria-Geral, Moreira Franco (PMDB-RJ) também esteve no local.

Questionado, Gilmar Mendes afirmou que o assunto tratado foi a reforma política. Ele disse que não entrou em discussão o tema Lava Jato.

Ele também falou sobre o encontro à Rádio Gaúcha. “O presidente não precisa se preocupar em colocar ninguém na agenda, ele recebe várias pessoas. Criaram essa psicose em torno dos encontros com o presidente da República, isso é uma bobagem”, disse.

 

Polícia Federal aponta falhas nas delações da Odebrecht

A Polícia Federal identificou falhas nas delações da Odebrecht que, em sua avaliação, dificultam e comprometem as investigações das informações passadas à Procuradoria-Geral da República.

Investigadores da PF que cuidam dos casos que estão no Supremo Tribunal Federal destacam, entre outras coisas, um exagero no número de delatores, a mudança de versão por parte de alguns deles e o fato de até hoje não terem acesso aos sistemas que embasaram as planilhas de repasses de dinheiro, caixa dois ou propina, a parlamentares. Em relatórios parciais públicos e internos, policiais apontam outros problemas, como a ausência de documentos que comprovem as narrativas dos colaboradores.

Outro ponto criticado é que parte do material apresentado já fora apreendido em fases da Lava Jato. Além disso, alguns dos supostos crimes já estariam prescritos. Após a investigação da PF, caberá à PGR tomar decisões sobre possíveis denúncias contra os implicados. As delações envolvem oito ministros, 39 deputados e 24 senadores.

A PF e a Procuradoria têm divergido, desde o início da operação, em relação ao formato de delação premiada, tema que virou até ação no Supremo, por autoria do procurador-geral, Rodrigo Janot.

Segundo a Folha apurou com pessoas envolvidas na investigação policial, haverá uma série de manifestações da PF contrárias à concessão de benefícios dada pela PGR aos delatores por falta de eficácia dos relatos.

Um exemplo ocorreu recentemente no caso do ex-presidente da Transpetro Sérgio Machado– a polícia entendeu que, em razão de falta de provas das acusações que fez contra políticos do PMDB, o executivo não deve ser merecedor dos benefícios acordados. A decisão final sobre a pena dos colaboradores será definida pelo juiz de cada processo. Há casos que ficaram no STF e outros que seguiram para outras instâncias.

Em uma só leva, 77 executivos e ex-executivos da Odebrecht assinaram colaborações em dezembro de 2016, homologadas pelo STF em janeiro. Como consequência, a pedido da PGR, o Supremo autorizou a abertura de mais de 70 inquéritos.

No ano passado, pela expectativa do que poderiam revelar os funcionários, deu-se o nome de “delação do fim mundo” para o acordo. Para a polícia, o número de delatores deveria ter se restringido a no máximo seis executivos –entre eles, Marcelo Odebrecht, ex-presidente e herdeiro do grupo, Hilberto Mascarenhas, chefe do setor de propina, e Benedicto Júnior, que comandou a Odebrecht Infraestrutura, por terem efetivamente colaborado.

CASOS CONCRETOS

 A PF tem o ex-relações institucionais da empreiteira Claudio Melo Filho como um dos exemplos de delator que mudou de versão. À PGR em dezembro ele contou, entre várias histórias, sobre contribuições ao senador Renan Calheiros (PMDB-AL) e ao hoje governador de Alagoas, Renan Filho, em 2010 e 2014. Disse que, apesar de terem sido doações declaradas, poderiam ser entendidas como contrapartidas à atuação em favor da Odebrecht. Uma das solicitações, em 2014, foi após uma reunião para tratar de assuntos de interesse da Braskem, braço petroquímico do grupo baiano. “[O pedido de doação do senador] Foi atendido porque a gente estava ali para fazer um pedido para ele e na hora que vem um pedido de volta para cá, é de bom tom para o que você está pedindo tentar equacionar o outro lado”, declarou Em 9 de junho deste ano, novo depoimento do ex-diretor gerou interpretação contrária na PF. “Que para o declarante a doação foi realmente uma doação eleitoral e não pagamento de propina”, consta no termo do depoimento do delator à PF, sobre o repasse a Renan de 2010. “Que Renan não condicionou a sua atuação política à retribuição financeira da Braskem”, sobre a doação realizada em 2014.

A PF vai pedir nesta semana para ter acesso ao Drousys e ao MyWebDay, programas utilizados pelo Setor de Operações Estruturadas, a área de pagamento de propina da empreiteira, para realizar perícia e checar os dados declarados e as datas em que foram inseridos.

A PF se deparou, na investigação sobre o deputado Onyx Lorenzoni (DEMRS), com o fato de a doação ter acontecido antes dos sistemas internos existirem, o que levou a uma dúvida sobre qual teria sido o momento de inserção dos dados.

O ex-diretor de relações institucionais Alexandrino Alencar afirmou não ter informações sobre isso e que só recebeu a planilha de repasses no período em que a Odebrecht negociava a colaboração.

Sobre a ausência de documentos, um dos exemplos é o da investigação sobre a deputada Maria do Rosário (PT-RS).

“Os colaboradores não trouxeram informações, até o momento, que possam indicar a forma como se deu o pagamento do valor que teria sido alcançado a investigada para financiar sua campanha”, consta em relatório da PF. Alencar prometeu procurar novos documentos para ajudar a investigação.

OUTRO LADO

 Em nota enviada para a reportagem, a Procuradoria-Geral da República afirmou “desconhecer a opinião da Polícia Federal sobre supostas falhas”. “O atual estágio das investigações em decorrência das colaborações dos executivos da Odebrecht não permite ainda fazer juízo definitivo sobre a eficácia dos acordos, por estarem em apuração. Essa análise caberá, em momento devido, ao Judiciário”.

A PGR afirmou que recente decisão do Supremo Tribunal Federal conferiu “segurança jurídica aos acordos e garantiu-se o princípio da confiança dos órgãos do Estado que se comprometem com colaboradores da Justiça a conceder premiações, para que se possa desbaratar a organização criminosa”.

O órgão escreveu ainda que a investigação policial deve ser feita “em harmonia” com a estratégia do Ministério Público, “pois caberá ao órgão acusador [PGR] decidir sobre a propositura da ação penal e tudo que for ligado a ela até o final do julgamento”.

A Odebrecht, por sua vez, afirmou que “está colaborando com as autoridades no esclarecimento de todos os fatos por ela revelados, e reafirma o seu compromisso com a verdade e com uma atuação ética, íntegra e transparente, no Brasil e em todos os países nos quais atua”. O texto diz também que “a efetividade da colaboração da empresa foi reconhecida não apenas pelo Ministério Público, mas por autoridades de outros países –Suíça, Equador, República Dominicana e Estados Unidos. No Brasil, a colaboração tem também o reconhecimento do Judiciário, como demonstram, por exemplo, decisões recentes do juiz Sergio Moro”.

Rodrigo Mudrovitsch, advogado de Claudio Melo Filho, disse que não existiu mudança na narrativa e que o cliente, como delator, “possui irrestrito propósito de colaborar com as investigações decorrentes do material probatório por ele disponibilizado”. “A literalidade dos depoimentos prestados comprova isso, até porque todas as suas manifestações refletem a verdade dos fatos de conhecimento do colaborador”.Melo Filho.

Com informação da Folha de São Paulo