O preço da traição

A traição como extensão da política é talvez tão antiga quanto o patrimonialismo tupiniquim, esse mesmo que chegou com as caravelas e aqui vingou em solo fértil quando Estado, igreja e a aristocracia selaram um promíscuo casamento com comunhão total de bens.

No Brasil, trai-se com naturalidade espantosa, e nenhum adversário terá coragem de atirar a primeira pedra quando o assunto é apunhalar o outro pelas costas. Na esteira da Lava Jato, por exemplo, as traições pululam: de Funaro a Cunha, Delcício a Lula, Sergio Machado a toda uma banda do MDB.

No Maranhão, então, o cenário não é muito diferente. Aqui, os políticos têm se notabilizado por contrariarem o que disseram há não muito tempo. Caso de Zé Reinaldo em 2006, quando aplicou uma rasteira em Roseana (MDB), então candidata ao governo, a ponto da emedebista, experiente na política, ser derrotada por Jackson Lago (PDT) apoiado pelo Zé.

Hoje deputado federal o ex-governador do Estado ameaça candidatar-se ao senado, mesmo sem o apoio da sua cria, o governador Flávio Dino. O movimento, já confirmado, tem despertado ressentimento em Zé Reinaldo, que vê traição de Flávio Dino.

Os tempos, porém, são mais que propícios a esse tipo de gincana, que faz lembrar um poema de Drummond. Mal adaptado à realidade local, ficaria assim: Zé que amava Dino que amava Weverton que amava Eliziane que amava Waldir que não morria de amores por Bira. Dino rompeu com Zé, que se aliou a Eduardo, que perdeu de Holanda, que flerta com Hilton e Madeira ao mesmo tempo.

No final das contas, é possível que, depois de tantas traições de parte a parte, ninguém tenha condições de levantar o dedo e apontar, com espanto: até tu, Brutus!

 

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